24 de abr de 2008

CINEMA

Sento-me no banco escuro
E de longe, vejo um casal de idosos se beijando.
A senhora me fita de vergonha
Eu sem querer constrangê-la, desvio os olhos.

Sentado no banco escuro
Focalizo o piso que irradia a luz vinda do teto.
Minha mente evoca imagens do passado remoto
Quando estive aqui, com minha amada.

Continuo sentado no banco escuro
Retiro o invólucro do CD, sem dó.
Pego o encarte e vou lendo as músicas, de Belchior
Minha paciência se esvai, quando vejo os casais.

Permaneço sentado no banco escuro
A criança correndo no pátio produz onomatopéias.
Sua mãe conversando com uma mulher, de relance vigia o garoto
E o pai nem se preocupa, com as travessuras do pequeno.

Estou sentado no banco escuro
O ambiente aconchegante me deixa carente.
Sofro calado, mesmo a ponto de gritar de dor
Sinto a ausência como uma adaga, meu peito necessita de amor genuíno.

Levanto do banco escuro
Fico na fila, pois o tempo se aproxima.
Atrás as pessoas vão chegando sem parar
E a criança que habita no meu intimo anseia estar, para essa sessão

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