Eu queria fazer uma poesia
que fosse cristalina como o dia
para ser consumida como o pão.
Uma poesia assim:
agridoce como a fruta do mato
pura como a água do regato
melodiosa como uma canção.
Uma poesia assim:
Que trouxesse beleza em cada rima
pará ser cantada no trabalho
para ser batucada na marmita
para ser comentada nas esquinas.
Uma poesia assim:
Comum e popular como a cachaça,
que se bebe barato, que é de graça,
que é do pobre, do rico, do sem nome.
Uma poesia que todos entendessem
como todos entendem a palavra amor
ou a palavra fome.
Castelo Hanssen
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23 de nov. de 2008
12 de nov. de 2008
CANÇÃO PRO SOL VOLTAR
Puseram algema nos braços do mundo
fizeram um muro em torno do mundo
pro sol não chegar.
Os donos do mundo, que adoram as trevas
com medo taparam os olhos do povo
pra noite durar.
Munidos de força, de falsa verdade,
com autoridade de quem tudo pode,
com a prepotência de quem tudo manda,
os donos do mundo, senhores da Terra
tornaram verdade as mentiras da guerra,
tornaram mentira as verdades do amor.
Os donos do Mundo, com suas mil bocas
que falam de guerra, de "marcha, soldado!..
disseram ao povo: ser bom é fraqueza,
sorrir é tolice, amar é pecado.
A lua era boa, amava os poetas,
amava os amantes, amava o porvir.
Se a noite chegava, a lua risonha
rondava na noite pro sol ir dormir.
Os donos do Mundo, com suas geringonças
subiram na lua, treparam na lua,
a lua do povo, senhora dos sonhos,
a lua dos beijos, dos olhos risonhos.
taparam, com trapos, os olhos da lua.
Mas eu ainda canto, os olhos vendados,
os braços atados, já quase sem voz.
Quem sabe o meu canto, o canto do povo,
consigam que a lua ainda acorde de novo?. . .
Quem sabe o corguinho cantando na serra
consiga que as plantas floresçam na terra?..
Consiga que as.rodas do engenho maldito
parem der repente ouvindo o meu grito?...
Consiga que a Máquina, já enferrujada,
com suas engrenagens talvez já cansadas
esqueçam um pouco de só trabalhar?...
Consiga que o sol ainda volte pra nós?...
Castelo Hanssen
fizeram um muro em torno do mundo
pro sol não chegar.
Os donos do mundo, que adoram as trevas
com medo taparam os olhos do povo
pra noite durar.
Munidos de força, de falsa verdade,
com autoridade de quem tudo pode,
com a prepotência de quem tudo manda,
os donos do mundo, senhores da Terra
tornaram verdade as mentiras da guerra,
tornaram mentira as verdades do amor.
Os donos do Mundo, com suas mil bocas
que falam de guerra, de "marcha, soldado!..
disseram ao povo: ser bom é fraqueza,
sorrir é tolice, amar é pecado.
A lua era boa, amava os poetas,
amava os amantes, amava o porvir.
Se a noite chegava, a lua risonha
rondava na noite pro sol ir dormir.
Os donos do Mundo, com suas geringonças
subiram na lua, treparam na lua,
a lua do povo, senhora dos sonhos,
a lua dos beijos, dos olhos risonhos.
taparam, com trapos, os olhos da lua.
Mas eu ainda canto, os olhos vendados,
os braços atados, já quase sem voz.
Quem sabe o meu canto, o canto do povo,
consigam que a lua ainda acorde de novo?. . .
Quem sabe o corguinho cantando na serra
consiga que as plantas floresçam na terra?..
Consiga que as.rodas do engenho maldito
parem der repente ouvindo o meu grito?...
Consiga que a Máquina, já enferrujada,
com suas engrenagens talvez já cansadas
esqueçam um pouco de só trabalhar?...
Consiga que o sol ainda volte pra nós?...
Castelo Hanssen
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12 de jun. de 2008
O HOMEM E O GATO
O homem de dia é um gato
E tira maviosos sons,
É música, é poesia,
É mágica, é melodia
Dos mais sinceros rons-rons
Castelo Hanssen
E tira maviosos sons,
É música, é poesia,
É mágica, é melodia
Dos mais sinceros rons-rons
Castelo Hanssen
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UTOPIA
Aquela estrela é minha
Aquela pequenina na esquina do universo, escondidinha.
Eu que não tenho nada além dos meus chinelos,
Além dos meus poemas, além dos meus anelos,
Sou feliz proprietário de uma estrela, uma que eu inventei
E para vê-la fecho os olhos na hora de sonhar.
Aquela estrela é minha, senhores astronautas
Vagabundos do espaço de ninguém.
Cuidado, ela é frágil assim como os meus versos.
Astrônomos que fuxicai pelo universo,
Se um dia descobrirem esta estrela ela tem nome
Chama-se utopia.
Aquela estrela é minha, Senhor Deus
Que pastoreia as nuvens no infinito,
E que semeias sóis e tempestades.
Não leves a mal a pretensão do poeta,
Mas aquela estrela, inda que fraca é minha.
Não faz parte do elenco dos teus astros.
Eu as fiz com as mãos, os sonhos, com o coração.
Aquela estrela é minha, senhoras e senhores,
E quem quiser passear na minha estrela
Numa tarde qualquer de chuva ou sol
É só me dar as mãos, ser meu amigo,
compreender minhas incompreensões e caminhar comigo.
Mas não repare se de madrugada não houver mais estrelas, nem mais nada.
É que à vezes acordo mal dormido,
Oprimido, um homem, um pingente,
E minha estrela triste vai embora
E só regressa numa nova aurora,
Quando eu volto a ser gente.
Castelo Hanssen
Aquela pequenina na esquina do universo, escondidinha.
Eu que não tenho nada além dos meus chinelos,
Além dos meus poemas, além dos meus anelos,
Sou feliz proprietário de uma estrela, uma que eu inventei
E para vê-la fecho os olhos na hora de sonhar.
Aquela estrela é minha, senhores astronautas
Vagabundos do espaço de ninguém.
Cuidado, ela é frágil assim como os meus versos.
Astrônomos que fuxicai pelo universo,
Se um dia descobrirem esta estrela ela tem nome
Chama-se utopia.
Aquela estrela é minha, Senhor Deus
Que pastoreia as nuvens no infinito,
E que semeias sóis e tempestades.
Não leves a mal a pretensão do poeta,
Mas aquela estrela, inda que fraca é minha.
Não faz parte do elenco dos teus astros.
Eu as fiz com as mãos, os sonhos, com o coração.
Aquela estrela é minha, senhoras e senhores,
E quem quiser passear na minha estrela
Numa tarde qualquer de chuva ou sol
É só me dar as mãos, ser meu amigo,
compreender minhas incompreensões e caminhar comigo.
Mas não repare se de madrugada não houver mais estrelas, nem mais nada.
É que à vezes acordo mal dormido,
Oprimido, um homem, um pingente,
E minha estrela triste vai embora
E só regressa numa nova aurora,
Quando eu volto a ser gente.
Castelo Hanssen
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SOL DA MANHÂ
Você foi para mim
Como o sol da manhã
Que brincou no telhado,
Que beijou as roupas
Postas pra quarar.
Me fazendo crer que era primavera
Me chamou pra sair
E depois sumiu.
E depois choveu...
E depois fez frio...
Castelo Hanssen
Como o sol da manhã
Que brincou no telhado,
Que beijou as roupas
Postas pra quarar.
Me fazendo crer que era primavera
Me chamou pra sair
E depois sumiu.
E depois choveu...
E depois fez frio...
Castelo Hanssen
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ESPERA
Acordou sorrindo, o dia estava lindo,
Se lembrou do sonho que tinha sonhado,
Seu príncipe encantado seu raio de sol de luz e calor.
Ficou tão contente que pensou que a vida
Fosse uma novela dessas bem cumpridas
Onde sempre vence quem tem mais amor.
Levantou contente, escovou os dentes,
Arrumou a casa cantando baixinho
Como um passarinho.
Fez a maquiagem, regrediu nos anos
E ficou mais moça, renovou a imagem.
Procurou no armário se melhor vestido
Um todo florido, há tempos guardado.
Foi comprar fiado no supermercado
Macarrão e carne, queijo e goiabada,
E aquela cerveja que guardou no freezer pra ficar gelada.
Depois esperou, esperou, esperou...
Uma hora... duas horas... três horas...
O sol se escondeu.
Mas no apartamento era verão ainda,
Pois ainda esperada. E a estação mais linda,
Era a estação do amor.
Cinco horas... seis horas... sete horas...
Chuva, frio, solidão, chove lá fora.
oito horas... nove horas... dez horas...
o que fazer agora com a mesa posta,
com a casa limpa, com a cara suja
pela maquiagem que o pranto estragou?
Que fazer agora do domingo findo,
Da segunda feira que já vem surgindo,
Que fazer da vida e do seu sonho lindo,
Se chegou a noite e ninguém chegou?
Castelo Hanssen
Se lembrou do sonho que tinha sonhado,
Seu príncipe encantado seu raio de sol de luz e calor.
Ficou tão contente que pensou que a vida
Fosse uma novela dessas bem cumpridas
Onde sempre vence quem tem mais amor.
Levantou contente, escovou os dentes,
Arrumou a casa cantando baixinho
Como um passarinho.
Fez a maquiagem, regrediu nos anos
E ficou mais moça, renovou a imagem.
Procurou no armário se melhor vestido
Um todo florido, há tempos guardado.
Foi comprar fiado no supermercado
Macarrão e carne, queijo e goiabada,
E aquela cerveja que guardou no freezer pra ficar gelada.
Depois esperou, esperou, esperou...
Uma hora... duas horas... três horas...
O sol se escondeu.
Mas no apartamento era verão ainda,
Pois ainda esperada. E a estação mais linda,
Era a estação do amor.
Cinco horas... seis horas... sete horas...
Chuva, frio, solidão, chove lá fora.
oito horas... nove horas... dez horas...
o que fazer agora com a mesa posta,
com a casa limpa, com a cara suja
pela maquiagem que o pranto estragou?
Que fazer agora do domingo findo,
Da segunda feira que já vem surgindo,
Que fazer da vida e do seu sonho lindo,
Se chegou a noite e ninguém chegou?
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ANTI-HERÓI
De tanto ver triunfar as nulidades
Eu quis vencer na vida,
Mas por desgraça ou por sorte sou poeta
E a minha luta já nasceu vencida
Eu sonhei com um mundo de justiça,
Eu quis fazer minha revolução,
Eu quis voar, fiz versos condoreiros,
Mas nem sequer tirei os pés do chão,
Falei mal do governo e da plutocracia,
Das ditaduras das razões de Estado
Mas na hora do “vamos ver” morri de medo
Com medo de morrer crucificado.
Pai afasta de mim esse cálice,
Pois mesmo se eu morrer essa dor não se acaba.
E a taça de sangue que me ofereceram,
Eu troquei por um suco de goiaba.
Se passei pela vida em brancas nuvens,
Se dos sonhos que tive eu nada fiz,
Se engoli sapo, levei desaforo,
É o jeito que arranjei de ser feliz
Mas, por consolo, trago uma certeza:
Eu não feri nem fiz ninguém sofrer.
Eu não mato nem morro por amor,
Eu, por amor, só aprendi a viver.
Castelo Hanssen
Eu quis vencer na vida,
Mas por desgraça ou por sorte sou poeta
E a minha luta já nasceu vencida
Eu sonhei com um mundo de justiça,
Eu quis fazer minha revolução,
Eu quis voar, fiz versos condoreiros,
Mas nem sequer tirei os pés do chão,
Falei mal do governo e da plutocracia,
Das ditaduras das razões de Estado
Mas na hora do “vamos ver” morri de medo
Com medo de morrer crucificado.
Pai afasta de mim esse cálice,
Pois mesmo se eu morrer essa dor não se acaba.
E a taça de sangue que me ofereceram,
Eu troquei por um suco de goiaba.
Se passei pela vida em brancas nuvens,
Se dos sonhos que tive eu nada fiz,
Se engoli sapo, levei desaforo,
É o jeito que arranjei de ser feliz
Mas, por consolo, trago uma certeza:
Eu não feri nem fiz ninguém sofrer.
Eu não mato nem morro por amor,
Eu, por amor, só aprendi a viver.
Castelo Hanssen
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ESTRANHOS SERES
Que estranhos seres são esses
que nestes tempos de guerra
andam livres, desarmados?
Que estranha crença os domina,
que estranha força os anima
em seu viver descuidado?
Serão loucos, visionários,
seres interplanetários,
criaturas do futuro,
ou fantasmas do passado?
Reúnem-se nos seus templos
ou em suas catacumbas
e rezam estranhas rezas
também chamadas poesia
e sua filosofia
consiste em dar o que têm.
São pobres, são peregrinos,
homens, mulheres, meninos,
com o poder milagroso
de multiplicar idéias
no viver cotidiano
de pequenas epopéias.
Muitos deles já morreram,
outros ainda nascerão.
São eternos, são fugazes,
são tímidos, são audazes,
voam com os pés no chão.
Que estranhos seres são esses,
livres como o pensamento,
frágeis como pluma ao vento,
fortes como a ventania,
que podem parar o tempo
com a força da poesia?
Castelo Hanssen
que nestes tempos de guerra
andam livres, desarmados?
Que estranha crença os domina,
que estranha força os anima
em seu viver descuidado?
Serão loucos, visionários,
seres interplanetários,
criaturas do futuro,
ou fantasmas do passado?
Reúnem-se nos seus templos
ou em suas catacumbas
e rezam estranhas rezas
também chamadas poesia
e sua filosofia
consiste em dar o que têm.
São pobres, são peregrinos,
homens, mulheres, meninos,
com o poder milagroso
de multiplicar idéias
no viver cotidiano
de pequenas epopéias.
Muitos deles já morreram,
outros ainda nascerão.
São eternos, são fugazes,
são tímidos, são audazes,
voam com os pés no chão.
Que estranhos seres são esses,
livres como o pensamento,
frágeis como pluma ao vento,
fortes como a ventania,
que podem parar o tempo
com a força da poesia?
Castelo Hanssen
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POEMA DE DESAMOR À POESIA
Um dia resolvi fazer uam poesia
só para dizer que sou poeta.
Escarafunchei meu cérebro pensante;
virei e revirei meu coração amante;
pesei e sopesei palavras ebm sonates...
mas o verso não veio...
Lembrei casos de amor felizes e frustrados.
Romances e romances havidos e inventados,
lágrimas de fel, de sangue e de crocodilo,
mais isto e mais aquilo...
mas o verso não veio.
Somei um por-de-sol à uma noite sem lua,
uma criança faminta, uma mulher nua,
baleias, passarinhos, praias, poluentes,
momentos, sonhos, vidas, entrementes,
mas o verso não veio.
Tentei capturar os momentos fugazes,
como gases fugiram, como cão vadio,
como o diabo da cruz, como gato do rio,
mas o verso não veio
Falei mau do Governo e plutocracia,
dos partidos, dos homens, dos motivos,
fiz discursos compridos e subversivos,
mas o verso não veio...
Me encharquei de revolta e de cerveja,
tirei a roupa, subi na mesa,
xinguei minha mãe, minha avó, minha tia,
mas cade a poesia?
poesia... sua ingrata, eu te amava tanto!!!
Tantas noites perdi em desespero e pranto,
quando mais eu preciso você me abandona
sua cachorrona!
Está bem... eu desisto... eu pago o prejuízo.
E de rabo entre as pernas vou para casa, vou criar juízo,
e se o verso não veio, já não sou mais poeta.
TÔ DE SACO CHEIO!!!
Castelo Hansse
só para dizer que sou poeta.
Escarafunchei meu cérebro pensante;
virei e revirei meu coração amante;
pesei e sopesei palavras ebm sonates...
mas o verso não veio...
Lembrei casos de amor felizes e frustrados.
Romances e romances havidos e inventados,
lágrimas de fel, de sangue e de crocodilo,
mais isto e mais aquilo...
mas o verso não veio.
Somei um por-de-sol à uma noite sem lua,
uma criança faminta, uma mulher nua,
baleias, passarinhos, praias, poluentes,
momentos, sonhos, vidas, entrementes,
mas o verso não veio.
Tentei capturar os momentos fugazes,
como gases fugiram, como cão vadio,
como o diabo da cruz, como gato do rio,
mas o verso não veio
Falei mau do Governo e plutocracia,
dos partidos, dos homens, dos motivos,
fiz discursos compridos e subversivos,
mas o verso não veio...
Me encharquei de revolta e de cerveja,
tirei a roupa, subi na mesa,
xinguei minha mãe, minha avó, minha tia,
mas cade a poesia?
poesia... sua ingrata, eu te amava tanto!!!
Tantas noites perdi em desespero e pranto,
quando mais eu preciso você me abandona
sua cachorrona!
Está bem... eu desisto... eu pago o prejuízo.
E de rabo entre as pernas vou para casa, vou criar juízo,
e se o verso não veio, já não sou mais poeta.
TÔ DE SACO CHEIO!!!
Castelo Hansse
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TRÂNSITO IMPEDIDO
Quem plantou na frente da minha janela
o espigão maldito
que roubou a imagem do meu horizonte?
Quem secou-me a fonte?
Quem nublou os meus olhos com fumaça plúmbea?
Quem cortou-me a asa?
quem colocou a placa "Trânsito Impedido"
no caminho lindo que eu tinha escolhido
para voltar para casa?
E quem foi que foi, que foi ao discionário,
e num desvario, numa maldição,
riscou a palavra linda que eu tinha escolhido
para dizer no dia que fosse o dia da libertação?
Mas saiba você, autor do meu fracasso
que ainda posso me aninhar
no seio do meu leito amigo.
Que eu ainda consigo na masturbação
reviver o amor vivido um dia,
ruminar poesia em solidão.
Ainda com o meu pranto,
vou lavar a honra do meu desencanto,
o tapa na cara que eu levei da vida
quando acreditava que ainda existia
o amanhã.
Castelo Hanssen
o espigão maldito
que roubou a imagem do meu horizonte?
Quem secou-me a fonte?
Quem nublou os meus olhos com fumaça plúmbea?
Quem cortou-me a asa?
quem colocou a placa "Trânsito Impedido"
no caminho lindo que eu tinha escolhido
para voltar para casa?
E quem foi que foi, que foi ao discionário,
e num desvario, numa maldição,
riscou a palavra linda que eu tinha escolhido
para dizer no dia que fosse o dia da libertação?
Mas saiba você, autor do meu fracasso
que ainda posso me aninhar
no seio do meu leito amigo.
Que eu ainda consigo na masturbação
reviver o amor vivido um dia,
ruminar poesia em solidão.
Ainda com o meu pranto,
vou lavar a honra do meu desencanto,
o tapa na cara que eu levei da vida
quando acreditava que ainda existia
o amanhã.
Castelo Hanssen
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BASTARDO
Quando eu amei alguém
e alguém me amou,
num orgasmo de luz o sol brilhou,
e um frágil verso,
fruto de um instante inoculou-se em mim.
Logo depois, porém,
o amor se fez distante,
o sol, como na menopausa fez-se noite,
e tudo teve fim.
só este verso ficou.
Só este verso ficou me remexendo,
me remoendo, me maltratando...
Mesmo quando tentei livrá-lo
do destino triste de ser verso de amor
quando o amor não existe.
só este verso ficou...
Só este verso nasceu...
Este verso nasceu
como um filho bastardo, sem futuro, nem passado,
nascido de um amor mal amado,
este verso nasceu.
Este verso nasceu, cresceu
se fez poema...
e mais forte que eu nunca chorou,
e nem, quiz amargo ser.
Se fez tema de amor e de esperança,
para mostrar que a vida,
não se faz só de vitória,
e que por amor, por um momento só
vale a pena viver.
Castelo Hanssen
e alguém me amou,
num orgasmo de luz o sol brilhou,
e um frágil verso,
fruto de um instante inoculou-se em mim.
Logo depois, porém,
o amor se fez distante,
o sol, como na menopausa fez-se noite,
e tudo teve fim.
só este verso ficou.
Só este verso ficou me remexendo,
me remoendo, me maltratando...
Mesmo quando tentei livrá-lo
do destino triste de ser verso de amor
quando o amor não existe.
só este verso ficou...
Só este verso nasceu...
Este verso nasceu
como um filho bastardo, sem futuro, nem passado,
nascido de um amor mal amado,
este verso nasceu.
Este verso nasceu, cresceu
se fez poema...
e mais forte que eu nunca chorou,
e nem, quiz amargo ser.
Se fez tema de amor e de esperança,
para mostrar que a vida,
não se faz só de vitória,
e que por amor, por um momento só
vale a pena viver.
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ALEGRIA DO POVO
O povo-criança, por ser comportado
Ganhou um presente de pouco valor
Uma bola, uma trave, uma taça, uma faixa
E um grito de gol.
E o povo, coitado, pensou, enganado,
que a rua era sua, que a noite era dia
E gritou, e pulou e berrou e gritou
E bebeu e morreu,no seu jeito triste
de ser alegria.
A tristeza saiu pelas ruas
sentindo alegrias de Carnaval
A fome saiu pelas ruas
comendo fatias de vendaval
A Esperança ficou bem quietinha
virando poesia de Festival.
Esperança em que um dia esse povo
Contente de novo,cantando na rua
(que então será sua),
tenha outros motivos para festejar
Não tema as palavras, não fique calado
Nem grite esse grito,estranho,orquestrado
nem espere mais.
Na noite que é dia
O grito de gol se transforme em Poesia
Em grito de guerra, em cantiga de paz.
Castelo Hanssen
Ganhou um presente de pouco valor
Uma bola, uma trave, uma taça, uma faixa
E um grito de gol.
E o povo, coitado, pensou, enganado,
que a rua era sua, que a noite era dia
E gritou, e pulou e berrou e gritou
E bebeu e morreu,no seu jeito triste
de ser alegria.
A tristeza saiu pelas ruas
sentindo alegrias de Carnaval
A fome saiu pelas ruas
comendo fatias de vendaval
A Esperança ficou bem quietinha
virando poesia de Festival.
Esperança em que um dia esse povo
Contente de novo,cantando na rua
(que então será sua),
tenha outros motivos para festejar
Não tema as palavras, não fique calado
Nem grite esse grito,estranho,orquestrado
nem espere mais.
Na noite que é dia
O grito de gol se transforme em Poesia
Em grito de guerra, em cantiga de paz.
Castelo Hanssen
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REPENTE
De repente não mais que de repente
(Expressão de Vinícius de Morais)
Fez-se poesia como nunca mais
Desde os tempos azuis de antigamente
Na transcedência efêmera de um mote
O eterno congelou-se num repetene
E fustigando o limbo do presente
A voz do cantador se fez chicote
De repente o sertão virou cidade
A fantasia virou realidade
O improviso inseriu-se nos anais
O nordeste brotou em chão paulista
Trazendo à retilínea futurista
a poesia dos nosso ancestrais
Arischans
(Expressão de Vinícius de Morais)
Fez-se poesia como nunca mais
Desde os tempos azuis de antigamente
Na transcedência efêmera de um mote
O eterno congelou-se num repetene
E fustigando o limbo do presente
A voz do cantador se fez chicote
De repente o sertão virou cidade
A fantasia virou realidade
O improviso inseriu-se nos anais
O nordeste brotou em chão paulista
Trazendo à retilínea futurista
a poesia dos nosso ancestrais
Arischans
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UM PAÍS
Era uma vez um país pobre porém feliz
de baixo de um céu azul.
Tinha sol em raios fúlgidos
tinha luar cor de prata
tinha o cruzeiro.
Tinha mundo de palmeiras
tinha matas verdejantes
tinha rios e cachoeiras.
Cantava sabiá, o uirapuru e patativas
“o do Assaré e a ave nativa”.
Cantava catulo da paixão
Cantava Cayme e Gonzagão
Cantava Raul Torres e Florença
Cantava o Serrinha e o caboclinho
Chorava a sanfona gemedeira
Chorava a viola de pinho.
Tinha povo, tinha gente.
Eta povinho contentente
por cada pouco que tinha
pelo sol quando vinha
pela noite que caía.
Gente que sentava na calçada
gente que se encontrava na estrada
se cumprimentava, contava “causos” e ria.
Gente que nada tinha mas repartia o pão
as crianças trocavam figurinhas
as mulheres trocavam receitas
os homens davam as mãos.
Onde andará essa gente?
Em que mundo, em que continente
fica esse país que era pobre porém feliz?
Castelo Hanssen
de baixo de um céu azul.
Tinha sol em raios fúlgidos
tinha luar cor de prata
tinha o cruzeiro.
Tinha mundo de palmeiras
tinha matas verdejantes
tinha rios e cachoeiras.
Cantava sabiá, o uirapuru e patativas
“o do Assaré e a ave nativa”.
Cantava catulo da paixão
Cantava Cayme e Gonzagão
Cantava Raul Torres e Florença
Cantava o Serrinha e o caboclinho
Chorava a sanfona gemedeira
Chorava a viola de pinho.
Tinha povo, tinha gente.
Eta povinho contentente
por cada pouco que tinha
pelo sol quando vinha
pela noite que caía.
Gente que sentava na calçada
gente que se encontrava na estrada
se cumprimentava, contava “causos” e ria.
Gente que nada tinha mas repartia o pão
as crianças trocavam figurinhas
as mulheres trocavam receitas
os homens davam as mãos.
Onde andará essa gente?
Em que mundo, em que continente
fica esse país que era pobre porém feliz?
Castelo Hanssen
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MEU "SAITE"
Eu tenho um sítio bem pequenininho
bem esquisito que se chama saite.
Nesse meu sítio novo sem porteira
galo não canta e nem cachorro late,
não tem sequer um pé de bananeira
nem de goiaba, caqui ou abacate.
Não tem corguinho pra pescar traíra,
nem cachoeira para se banhar.
O sol não brilha lá para aquelas bandas
e quando é noite nunca tem luar.
Não tem casinha branca de varanda
pra tocar viola de papo pro ar.
Não tem galinha pra botar o ovo,
não tem chiqueiro pra engordar leitão,
não tem terreiro pra dançar quadrilha,
batendo forte com o pé no chão,
não tem terreiro pra fazer fogueira
pra festejar as noites de São João.
Lá só tem rato que se chama “mause”
e outras pragas que não lembro o nome.
Tem um tal vírus que quando aparece
bem de precinha meu trabalho some,
isso pra mim é coisa do capeta
de mula-sem-cabeça ou lobisome.
Eu sinto muito meu caros amigos
mas eu não posso convidar vocês,
pra visitar a minha propriedade
vou explicando logo de uma vez,
eu só não quero que você se ofendam,
mas só entra quem souber inglês.
Castelo Hanssen
bem esquisito que se chama saite.
Nesse meu sítio novo sem porteira
galo não canta e nem cachorro late,
não tem sequer um pé de bananeira
nem de goiaba, caqui ou abacate.
Não tem corguinho pra pescar traíra,
nem cachoeira para se banhar.
O sol não brilha lá para aquelas bandas
e quando é noite nunca tem luar.
Não tem casinha branca de varanda
pra tocar viola de papo pro ar.
Não tem galinha pra botar o ovo,
não tem chiqueiro pra engordar leitão,
não tem terreiro pra dançar quadrilha,
batendo forte com o pé no chão,
não tem terreiro pra fazer fogueira
pra festejar as noites de São João.
Lá só tem rato que se chama “mause”
e outras pragas que não lembro o nome.
Tem um tal vírus que quando aparece
bem de precinha meu trabalho some,
isso pra mim é coisa do capeta
de mula-sem-cabeça ou lobisome.
Eu sinto muito meu caros amigos
mas eu não posso convidar vocês,
pra visitar a minha propriedade
vou explicando logo de uma vez,
eu só não quero que você se ofendam,
mas só entra quem souber inglês.
Castelo Hanssen
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RIO ACIMA
Navegando rio acima
num barquinho de papel,
numa aventura cruel,
cuja esperança me anima,
eu vou atrás de uma rima
que rime com tudo, enfim
que existe dentro de mim
e nunca será olvidado.
Eu vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Como um novo bandeirante,
de costas para o oceano,
eu vou seguindo o meu plano,
meu viver itinerante
e nesse buscar constante,
nessa viagem sem fim,
quero ser um curumim,
um molequinho levado,
que hei de encontrar no passado,
na nascente de onde eu vim.
Cansado de modernagem,
quero voltar às origens
para fugir das vertigens,
para fugir da miragem,
e nessa louca viagem
eu quero fugir assim,
de um presente tão ruim,
de tanto sonho frustrado
e vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Nesta viagem de volta
quero rever as paisagens
que vi na outra passagem.
Paisagens talvez já mortas,
escritas por linhas tortas,
em garranchos de nanquim,
começando pelo fim
no meu errar acertado
eu vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Nas margens da minha vida
vi tantas flores se abrindo,
a natureza sorrindo,
paisagens hoje esquecidas,
que muita gente duvida
até da cor do jasmim,
do perfume do alecrim
e dos campos orvalhados,
mas vou atrás do passado,
da nascente de onde eu vim.
E mesmo assim, com coragem
vou levando meu barquinho,
pois aprendi a ser sozinho
e nem olhar para a margem.
Quando sentir as paragens
que pairam dentro de mim,
eu terei chegado enfim
ao meu país encantado,
terei chegado ao passado,
à nascente de onde eu vim.
Castelo Hanssen
num barquinho de papel,
numa aventura cruel,
cuja esperança me anima,
eu vou atrás de uma rima
que rime com tudo, enfim
que existe dentro de mim
e nunca será olvidado.
Eu vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Como um novo bandeirante,
de costas para o oceano,
eu vou seguindo o meu plano,
meu viver itinerante
e nesse buscar constante,
nessa viagem sem fim,
quero ser um curumim,
um molequinho levado,
que hei de encontrar no passado,
na nascente de onde eu vim.
Cansado de modernagem,
quero voltar às origens
para fugir das vertigens,
para fugir da miragem,
e nessa louca viagem
eu quero fugir assim,
de um presente tão ruim,
de tanto sonho frustrado
e vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Nesta viagem de volta
quero rever as paisagens
que vi na outra passagem.
Paisagens talvez já mortas,
escritas por linhas tortas,
em garranchos de nanquim,
começando pelo fim
no meu errar acertado
eu vou atrás do passado
da nascente de onde eu vim.
Nas margens da minha vida
vi tantas flores se abrindo,
a natureza sorrindo,
paisagens hoje esquecidas,
que muita gente duvida
até da cor do jasmim,
do perfume do alecrim
e dos campos orvalhados,
mas vou atrás do passado,
da nascente de onde eu vim.
E mesmo assim, com coragem
vou levando meu barquinho,
pois aprendi a ser sozinho
e nem olhar para a margem.
Quando sentir as paragens
que pairam dentro de mim,
eu terei chegado enfim
ao meu país encantado,
terei chegado ao passado,
à nascente de onde eu vim.
Castelo Hanssen
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FOI MELHOR ASSIM
Quando te vi no bar, rindo e brincando
entre amigos, estranhos para mim
Me perdi nos teus olhos, fui ficando
sem rumo, sem princípio, meio ou fim.
Qual seria o teu nome, a tua idade
que pensarias tu caso soubesses
deste pobre poeta, da ansiedade
dos seus sonhos, desejos, suas preces?
Mais foi melhor assim
Tu foste embora, eu paguei minha conta, e sem demora
fui pra casa dormir nos braços teus.
Esses seus braços que eu só tive em sonhos
Pensamentos sublimes, bons, risonhos
Eu não te conheci, não houve adeus.
Castelo Hanssen
entre amigos, estranhos para mim
Me perdi nos teus olhos, fui ficando
sem rumo, sem princípio, meio ou fim.
Qual seria o teu nome, a tua idade
que pensarias tu caso soubesses
deste pobre poeta, da ansiedade
dos seus sonhos, desejos, suas preces?
Mais foi melhor assim
Tu foste embora, eu paguei minha conta, e sem demora
fui pra casa dormir nos braços teus.
Esses seus braços que eu só tive em sonhos
Pensamentos sublimes, bons, risonhos
Eu não te conheci, não houve adeus.
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