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12 de jun. de 2009

Ilusões

Ilusões de ótica são nada
Comparada às ilusões da alma
Quem pode entender na hora
As ilusões que alma forma?

Quantos "deja vus" apaixonados
Quantas finalizações tristes
Mostram que as ilusões da alma insistem
Em te levar ao que está errado

Resultados diferentes das intenções
Precipitados em momentos diversos
Causados por pensamentos dispersos
Formados sob domínio das emoções

Oh! Por que isso comigo meu Deus
Sofrer desse dom, castigo
Não quero mais passar perigo
Quero apenas enxergar com os olhos meus!

Marcelino

21 de fev. de 2009

A morte do homem apaixonado
Foi motivo de comoção
Entre todos os conhecidos
Desceu sob palmas, flores, salva de tiros
Mesmo de quem lhe havia desprezado
O caixão embalsamado levando,
Além do corpo tudo
O que tinha perdido

A morte do homem apaixonado
Foi notícia em toda vila
Entristeceu o povoado
Ninguém queria que perdesse a vida
Quem tanto amor tinha doado

A morte do homem apaixonado
Abriu corações e prantos
Fez dele um adorado
Tornou sua poesia em cantos

A morte do homem apaixonado
Criou um mito
Quem já o tinha ignorado
Festejava aos gritos
Que ele as tinha bajulado
Mas parecia ter esquecido
Sua parte no ocorrido
O sofrimento acumulado

A morter do homem apaixonado
Tornou-o famoso e lido
Mas fez perder o único sentido
Em toda sua intenção
Que fosse um dia para alguém
A única paixão
(Marcelino)

1 de fev. de 2009

Nessa noite longa em que me calo
Por que não interessa que alguém me ouça
Minha cabeça parece pia de louça
Onde se joga tudo e se entope o ralo

As idéias me pesam como mau hálito forte
Não se deixam nunca esquecer
Quando só quero adormecer
Roubam meu sono me passando trote

Jogando coisas que já esqueci
Trazendo monetos do passado
Besteiras que já tinha guardado
Verdades que nunca vivi

Transborda de histórias meu quarto
Devaneios loucos a passear
Como um vento intenso que ouço soprar
Quando tento descansar

Já farto de toda essa estranha epidemia
Que faz meu sono adoecer
E o cansaço me deixar
Já sinto uma forte arritmia
Antes de enlouquecer
Termino isso e vou relaxar

Marcelino
Eu hei de ouvir
Eu hei de cantar
Quando você estiver aqui

Eu hei de cantar
E mais triste tocar
Quando você não estiver
Até você chegar

Porque sua voz me faz sentir
Seu rosto me faz amar
Seu corpo me faz sonhar

Quando você estiver aqui
Eu vou cantar
Pra você não me deixar
E quando você partir
Eu vou cantar
Pra que você não demore a voltar

Porque meu coração
Não tem outra razão ou circunstância
Não suporta manter distância
De você...

(Marcelino)

31 de dez. de 2008

Era um menino
Muito esperto
Sempre de olho aberto
Prevendo tudo que ia acontecer

E esse menino
Tinha um caderno, onde
Escrevia palavras sinceras
Sobre o que queria viver

E esse menino
Um dia viu-se tão perto
E esteve tão certo
Do que queria ter

Ela era uma menina esbelta
Tão rara e perfeita
A ponto de enlouquecer

E essa menina
Era tão desperta
Tinha uma idéia concreta
Do que iria fazer

E o menino
Ficou tão perplexo
E pegou num reflexo
Seu caderno pra escrever

E o menino
Escreveu com encanto
Demonstrando ainda o espanto
Da beleza que acabara de ver

E o menino
Anotou no canto
Aquele que se tornou um dia santo
Uma data pra nunca esquecer

E o menino
Usou a capa do caderno como manto
Pra proteger o tempo quanto
Fosse necessário pra poder dizer

E a menina
Que dava prazer de uma conversa
Estava também submersa
Num amor que a fazia sofrer

E a menina
Passou ao menino
Uma sensação adversa
Que o fez querer esquecer

E o menino
Percebeu graças a um amigo
Que o maior perigo
Seria deixar aquele amor morrer

Então o menino
Pensou consigo e decidiu
Que para aquele poema antigo
Tinha chegado a hora de transparecer

E então quis o destino
Deixar a honra e o dever comigo
De esse poema terminar de escrever
Com Você

Marcelino
São Paulo
Cidade técnica, cidade correta, cidade precisa
São Paulo
Vida corrida, vida intensa, vida sofrida
São Paulo
Avenidas extensas, avenidas intensas, avenidas unidas
São Paulo
Pessoas diferentes, pessoas emergentes, pessoas prestativas

São Paulo
Prédios imensos, com fluxo propenso a todo crescimento
São Paulo
Com carros potentes, motores ferventes e freios impotentes, pra toda essa movimentação
São Paulo
Com carisma inigualável, cultura invejável, força incalculável
São PauloCom dramas indispensáveis, eventos inimitáveis, surpresas impensáveis

São Paulo é só emoção, é só coração, é quase uma nação
São Paulo, será que eu conseguiria viver fora dessa situação?

São Paulo, exalando inspiração

Marcelino
Por que esse nome deram
Pra algo tão obscuro
Que todo mundo espera
Por isto chamado futuro?

Pra muitos o pedido é comum
Normalmente entrar no rol
Das modelos a desfilar pelo mundo
Ou dos jogadores de futebol

O futuro me reservou uma surpresa
E então me formou poeta
Que como cigano com cartas na mesa
Equilibro na cabeça as palavras em ordem certa

O futuro é algo em que não acredito
E que não existe em mim
Pois ainda que seja um mito
O presente nunca terá fim

Enquanto alguns pedem que o futuro
Venha curto como a espessura de um papel
Peço que pra mim venha como fazer um furo
Lento e passante numa parede de quartel

Vejo nesse inexistente futuro
Um quase inevitável tropeço
Que se quisermos derrubar o invisível muro
Devemos fazer de hoje um inesquecível começo

Marcelino

24 de dez. de 2008

Samba de Paris

Ah que beleza!!!
Toda vez que meu bem fala à la francesa

Gourmet, merci beaucoup
Moi, i love you
Toda vez
Que mon chéri fala francês

Eu que sou brasileiro
Patriota e corinthiano
Esteremeço inteiro
Quando meu bem
Diz eu te amo

Ma fille, menu
Se isso te faz feliz
Vou te levar para Paris

Eu que sou paulistano ( de coração)
Me abalo
Quando ela diz
Que prefere São Paulo

Marcelino

Sonho de uma noite de chuva ácida em Mauá

Vai ser a salvação
Quando o homem estiver em extinção

Já pensou que beleza
Um mundo sem complicação
A natureza reinando com destreza
Controlando o poder da criação

E o homem com as cartas na mesa
Vai com certeza com cara de bonachão

Já não vai haver mais guerra
E tudo que há na Terra vai voltar à união
As engrenagens que hoje emperram
E as chaminés que berram
Vâo ficar sem profissão

Marcelino
Tenho amor pra dar e vender
Preciso encontrar alguém
Que queira pagar pra ver
Que tenha coração pra receber
Que entende meu amor por silepsia
Que reflita minha vida por poesia

Meu amor já não dou mais
Porque já cansei de sofrer
Quanto mais eu distribuo, ele some
mas volta a aparecer

Ah se você quisesse o meu amor
Talvez eu desse todo dia
Um verso e uma flor
Pois pra quem não queria
Tu virastes agonia de homem sofedor
E como era boa de papo e filosofia
Me deixou ainda de fiador
E eu que pago por ter tanto amor
Pra dar e vender

Marcelino
Levanta, levanta e vai trabalhar
Não fica parado esperando ajuda
Levanta que a vida é dura
Levanta e vai se virar

Não adianta ficar aguardando
Vê que a chance tá passando
E não é hora de bocejar
Lava essa cara de sono
Para de fingir abandono
Vai pra depois não chorar

Levanta que ainda tá cedo
Deixa pra outra hora o medo
Que ainda tá cedo pra temer
Então corre pra não se arrepender

Marcelino
Onde estará aquela menina
Que é a essência da minha vida
Que transborda inocência, decência
E a minha paciência já não pode suportar

Onde estará esta que é a mais bela
Que meus olhos podem avistar
Não há nesse mundo ou em tela de aquarela
Composição mais linda de se apreciar

Onde estará ela que é o encanto
E a causa do meu canto
Por quem meu coração não para de saltar
E eu no meu canto não me canso
E já tenho como vicío, quando me levanto
Lembras todos os santos
Que todo dia eu sonho com ela me casar

Do meu coração eu tenho exprimido e imprimido
Os mais diversos e bonitos, cada vez mais compridos
Versos pra explicar
Pra essa donzela
Que eu só lhe quero amar

Marcelino

31 de mar. de 2008

Ser Feliz

Tanto amor perdido
Na terra prometida
Tanto amor prometido
Numa terra perdida
Tanto combustível gasto
Pra se viver a vida
Tanta vida gasta pra se fazer gasolina

Tanto ouro gasto pra se fazer um colar
Tanto colar gasto pra poder amar
Tanto amor desperdiçado pra ser feliz
Tanta felicidade fingida com quem nunca se quis
Ser feliz Ser feliz

Tanta inteligência gasta pra se conhecer
Tanto conhecimento pra se evoluir
Tanta evolução feita pra se destruir
Tanta destruição feita pra ser feliz
Ser feliz Ser feliz

Tanta proparoxítona pra se acentuar
Tanto assento pra se sentar
Tanta gente sentada pra decidir
Como a gente vai ser feliz
Ser feliz Ser feliz

Marcelino

24 de mar. de 2008

Navegações

Meu amor é como uma nau
Que errante se lança ao mar
Buscando um porto tranqüilo
Sem idéia de onde vai encontrar

Cruzando com monstros mitológicos
E tempestades que vem brincar
Me levando a portos sólidos
Onde outras naus estão a descansar

A correnteza não é amiga
Vem sempre pra me levar
A terras firmes mais obscuras
Com rios estreitos que não deixam navegar

Alguns portos me vêem pirata
Não permitem a mim ancorar
Esperando por outras naus
Que partiram sem prometer voltar

Muitas vezes encontrei portos
Que por sorte ninguém estava a habitar
Mas que mantinham grandes esforços
Evitando qualquer nau de se aproximar

Por fim caí em desgosto
Que mal Poseydon vim lhe causar?
Pra que estivesse tão disposto
Há por tantas perturbações pra me afrontar

Então numa noite de trevas
Baixei as velas e fui me deitar
Esperando que fosse aquela
A última dança que fosse participar

Mas quando acordei tive de sorrir
Ao ver o mar tão límpido onde fui parar
Com águas tão rasas e azuis
Que me afastaram do desejo de naufragar

Então me vi tão risonho
Pra realizar meu sonho só bastava esperar
Pois meu coração largou a nau e
Construiu um porto pra alguém ancorar.

Marcelino

Percepção

Quanto mais eu corria, eu percebia;
Que mais longe eu estava
Quanto mais dor sentia, eu percebia;
Que mais forte eu ficava
Quanto mais eu tinha, eu percebia;
Que eu não precisava
Quanto mais eu conseguia, eu percebia;
Que não tinha nada
Pois o mal, é mal na essência e bom no oposto;
E ser bom ou ruim, é somente na verdade, uma questão de gosto.
Quanto mais escrevia, mais entendia;
Que não entendia nada
Quanto mais chovia, eu percebia;
Que não via nada
Quanto mais eu podia, eu percebia;
Que não ganhava nada.

Marcelino

Amortanásia



Descobriu já era tarde
Não adiantava o alarde
Nem querer se divertir
Por obrigação

Descobriu meio sem jeito
Que perdera o direito
De escolher se continuava ao leito
Ou deitava em um caixão

Não bastavam as lembranças
Pois acabaram as esperanças
Que foram as penúltimas a morrer
Deixando-o na solidão

Não era mais um gigante
Não sabia se seguia adiante
Perdeu tudo que tinha antes
Inclusive o prêmio de consolação

Não adiantou fazer história
Pois perdera a memória
E lutar pela vitória
Já não era sua decisão

Não chorava nem sorria
Não aguentava nem doía
Não acordava nem dormia
Não existia comparação

Não perguntava -O que eu fiz?
Não mandava no nariz
Não sentia-se feliz
Se ocupava de desocupação

Quando alguém lhe perguntava
Ele não argumentava
Apenas admirava
Como naquela ocasião

Quando tomado pelo amor
Colheu apenas uma flor
E sentiu uma grande dor
A dor da traição

E parou por um momento
Pra fugir desse tormento
Se jogou dúvida a dentro
Como única solução

E já não era mais ele quem decidia
Se vivia ou dormia
E a família já sabia
Que tinha morrido um coração

E quando seu fim chegou
Ele se cumprimentou
Pois ao mundo ele provou
Quanta dor o Amor
Pode causar ao coração.

Marcelino

Coração noturno

Vagando na noite e no silêncio
Sem ruídos no escuro
Encontrei a rejeição e a tristeza
Serenas e a sós, esperando por ninguém

Vagando na noite, encontrei a solidão
Que rejeitou minha companhia, mas,
Foi-me de alguma serventia...

Vagando na noite encontrei o medo,
com quem, fui ter]
Nada demais, já éramos velhos amigos, poucas novidades
velhos costumes]

Vagando na noite encontrei o dia,
encontrei a luz, o fim do túnel...
Só não encontrei palavras para explanar.
Ficaram com a noite que me cobrou caro o passeio
e a companhia]

Marcelino 24/03/08

10 de fev. de 2008

CONVICÇÃO

Certeza, destino e convicção são coisas distintas. Certeza é aquela sensação que todo mundo tem até começar a fazer algo, tudo vai dar certo até o primeiro passo quando já se começa errado. Destino é aquele coitado que sempre leva a culpa sem fazer nada, quando tudo da errado e já não se tem certeza de nada é hora de botar a culpa no destino, e também se pode falar que Deus quis - isso nos casos mais graves – mas o destino sempre leva a culpa. Já a convicção é algo surpreendente, quando uma pessoa tem convicção ela tem certeza que tudo vai dar certo e o destino já está traçado e vai ser como ela quer. Aí que mora o perigo.
Josiel – nunca li esse nome nos textos do Veríssimo ou do Stanislaw, ou seja, lá de quem for – era um cara de muitas certezas, um destino e muita convicção. Desde jovem tinha um sonho não muito comum entre os seres do sexo masculino de qualquer outro planeta que não seja o nosso, ser jogador de futebol. Começou cedo e haja visto muito mal, não acertava nem a cabeça do pai no gramado de casa – nenhuma das duas por sinal – não acertava a vidraça, não derrubava quadros dentro de casa, nem estourava o dedão no paralelepípedo na hora do chute fatal. Na verdade nem acertava a bola, só tocava nela quando chutavam nele, nem sempre por engano, foi assim que teve a certeza de que seria goleiro. Começou bem, primeiro jogo, primeiro título sem tomar um gol, até quando saiu do banco de reservas para o momento mais glorioso para um goleiro, substituir o titular depois que ele cometeu um pênalti. Saiu-se muito bem, ileso do escorregão que levou quando foi saltar pra dentro do gol pra buscar a bola, nunca mais jogou nem futebol de botão. Guardou as luvas numa caixa para que elas não contagiassem mais ninguém.
Como era jovem continuou nos esportes, adorava bicicletas, praticava bicicross – o nome era feio na época – na primeira corrida a barreira não abriu e ele não saiu ileso do tombo desta vez. Voltou depois de meses e no momento mais preocupante a barreira abriu, tinha passado o pesadelo e começado outro, saiu empinando só que a roda da frente não foi ele tinha apertado mal, a porca tava um pouco espanada, mas como ele tinha certeza que dava pra continuar, foi, e, pois a culpa no destino.
Desistiu dos esportes foi ser músico, adorava música era algo fenomenal. Comprou um violão e na primeira nota a corda estourou no seu rosto e ele nunca mais trocou. Optou pela bateria era mais segura, até a primeira baquetada quando quebrou o dedo no aro da caixa. Passou a tocar sax. Os dedos obedeciam, ia bem, chegou a montar o “Josiel e sexteto incerto” mas aos poucos descobriu a asma e abandonou o sexteto que se transformou num “quinteto certo”. Guardou os instrumentos num quarto junto as suas decepções.
Resolveu trabalhar, talvez assim com mais esforço conseguisse fazer algo que lhe rendesse reconhecimento - e ele veio – mole, imprestável, lerdo, burro, trambolho, etc... Ainda assim conseguiu se manter empregado e subir de cargo se tornando até um bom profissional, não ouvia mais xingamentos, não de colegas de trabalho, só do chefe.
Decidiu se casar estava convicto que era o momento, encontrou a mulher da sua vida, como ele sempre sonhara, seria muito feliz. Comprou carro, casa, e deixou os pais orgulhosos, pela primeira vez por mais de cinco minutos, e então quando foi mudar pra nova casa, abriu aquele quarto onde se guarda tudo que não presta – pelo menos pra gente – e quando juntou tudo teve a maior convicção que ali estava um Josiel justamente como ele sempre quis ser.

Lucas Marcelino (10/02/2008)