Mostrando postagens com marcador MARCOS R MOREIRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MARCOS R MOREIRA. Mostrar todas as postagens

29 de jun. de 2009

UM CONTO SOBRE COMO CONHECI O GRUPO DE ESCRITORES DE MAUÁ



O JORNAL DIÁRIO DO GRANDE ABC DEDICOU MEIA
PAGINA DO CADERNO SETE CIDADES AO LANÇAMENTO
DOS LIVROS DO GRUPO DE ESCRITORES DE MAUÁ.



ARISTIDES THEODORO, CASTELO HANSSEN ,
IRACEMA M. REGIS E EU


UM CONTO SOBRE COMO CONHECI O GRUPO DE ESCRITORES DE MAUÁ *
por Marcos Roberto Moreira

Depois de um banho não tão rápido, me arrumei e sai. Na época trabalhava em Santo André, cidade vizinha. Tomava um ônibus até o centro, e de lá, um trem para chegar ao serviço. Tinha como costume atravessar a roleta e quando possível, sentar num banco ao fundo. Mas naquele dia vi um banco vazio próximo a porta do meio, e acabei por sentar ali mesmo. Aproveitando os minutinhos que tinha até o terminal, abri meu livro e comecei a lê-lo.
- Que livro é esse rapaz? Ouvi a pergunta. Era do Senhorzinho sentado ao meu lado. Tinha a pele escura, cabelo e cavanhaque branco e uma cara carrancuda.
- O processo, respondi.
- Franz Kafka. Um sofrimento terrível. Já leu metamorfose?
- Ainda não.
- Pois leia! É muito bom.
O homem falava isso com uma empolgação enorme, acentuada pela sua entonação grave e sotaque arrastado. E eu lá, querendo continuar minha leitura...
- Sabe? Eu escrevo a 30 anos nessa cidade. Sou colunista do jornal A Voz de Mauá todo esse tempo.
- Ah é? E qual é seu nome?
- Aristides Theodoro.
Aristides Theodoro? Não dava pra acreditar. Depois de todo esse tempo, e eu ali do lado da pessoa que tanto procurei! Mas para que o leitor entenda minha surpresa e compartilhe meu espanto, é necessária voltar uns dez ou onze anos antes.
Mil novecentos e noventa e sete. Eu, ainda com dezoito, cursava o segundo ano do que é hoje conhecido como ensino médio. Lia vários gibis, um ou outro livro e escutava muita musica. Legião, Engenheiros, Paralamas, as bandas que tanto me inspiram na infância, ainda continuavam comigo. E como não conseguia aprender a tocar violão - coisa que não sei até hoje - resolvi, inspirado nessas musicas, escrever meus próprios versos. Neles, derramava todas minhas frustrações, revoltas e dores de amor. E a exemplo de todos que começam a escrever, passei a mostrá-los a todo mundo – amigos, parentes, professores – como se eu fosse o novo Camões do pedaço. Naquele ano, recebia aula de Língua Portuguesa dum professor chamado Valmir do Carmo Meira. Ele, se não apreciava minha escrita, pelo menos notou minha boa vontade. Tanto que me trouxe algo de presente.
Eram três livros de um grupo chamado Colégio Brasileiro de Poetas, que a partir dos anos 60, passou a encabeçar as manifestações literárias da cidade. Três verdadeiras pérolas feitas num tempo “em que a poesia era marginal”, conforme tão bem expressava o poeta Castelo Hansen. E havia tantas poesias maravilhosas naquelas paginas! Paginas feitas por escritores da cidade onde nasci. Imaginem o que pensei? Pois é! Eu precisava conhecer aquela gente. Fazer parte, de alguma forma daquele grupo, se é que ainda existia.
O professor Valmir me informou então que, embora a maioria daqueles escritores tivesse se dispersado, havia alguns deles ainda ativos. Dentre estes, Castelo Hansen, Iracema M Regis e... Aristides Theodoro. O mesmo Aristides que estava ao meu lado tagarelando e me impedindo de ler meu livro em paz. O mesmo, que anos atrás eu havia procurado sem sucesso em sua banca na praça da republica, com meu caderninho verde de poesia embaixo do braço. E, mais de dez anos depois, o achei assim, sem mais nem menos ao meu lado no banco do ônibus.
Contei a ele a minha história, e após descermos do coletivo, ele fez um “breve” resumo dos quarenta anos de literatura em Mauá, e anotou meu nome e telefone. Não passou muito tempo, e fui convidado por ele e por Francisco Tânio a participar de um livro de contos sobre a cidade fictícia de Curiapeba, criada por ele. Logo, me encontrava no palco do Teatro municipal apresentando um recital de poesia ao lado da escritora Iracema, onde tive oportunidade de contar essa mesma história diante de um grupo de talentosos escritores da região.
A isso se seguiram outros recitais, oficinas de contos e de poesias, participação em blogs e livros. E a história daí por diante, pode ser vista através dos vários contos e poesia que escrevi, após finalmente fazer parte do grupo de escritores de Mauá, atualmente conhecido como Taba de Corumbé.
- Marcos Roberto Morteira 17/06/2009

*ESTE CONTO FOI LIDO NA OFICINA DE CONTOS DO DIA 20/06 NA PRESENÇA DE VÁRIOS ESCRITORES, DENTRE ELES ARISTIDES, IRACEMA E CASTELO ( QUE CONHECI PESSOALMENTE NESSA OCASIÃO)


5 de dez. de 2008

TERROR!

TERROR, TERROR
TRIBULAÇÃO

A bala cortando o ar
O corpo jazendo no chão

ônibus queimando
e inocentes pagando
o preço de se tentar viver

Quem está livre,
está preso dentro de seu próprio lar

Quem está preso,
está livre pra mandar matar

Pra saquear
acabar com a paz

Paz?

Que paz além
Da que os mortos tem

Que vida é essa
Que bem depressa
Pode acabar

Se um preso for transferido,
se o governo não cooperar?

E aqueles que são pagos
para nos proteger,

são os primeiros a correr
se escondendo com medo
do que possa acontecer

Não precisamos da Al Qaeda
Nem da guerra do Bush

O terror está aqui:
a nossa porta,
a nossa espreita,

como um leão que ruge

(referente ao ataque do PCC em São Paulo)

8 de nov. de 2008

_sujeito oculto (Poema visual. Clique na imagem para amplia-la)



9 de ago. de 2008

FEL

O esforço pode não servir pra nada.

E a força de vontade, as vezes só causa feridas.

Por que a vida,
Nem sempre é o que se sonha.

E o amor,
Nem sempre é o que se espera.

Nem é o desejo,
A garantia de sucesso.

Mas o que fazer?

Se não lutarmos para viver,
Morremos.
Mas quando não lutamos pela vida,
Sofremos.

Então, o que nos resta além da dor?

27 de jul. de 2008

DESASTRE NATURAIS

I

Como abrandar um coração
Numa turbulenta tempestade emocional?

Como conseguir ficar de pé
Quando a vida parece ser um vendaval?

Quando a tristeza obscurece o sol?
Quando a enxurrada de problemas é igual,
A uma enchente


Que nos arrasta,

E que devasta

A esperança que um dia foi real?

Você sabe responder
Como sobreviver
Quando a vida é um desastre natural?

II

Terremotos, furacões
A balam nossas emoções
Levam embora nossos sonhos
Derrubam todos nossos planos
E nos deixam arrasados
Nos perguntado se é errado
Acreditar no que se quer.

MARCOS ROBERTO MOREIRA

DIARIO DE GUERRA

Queria correr,
Fugir dos meus sentimentos,
E me esconder,
Desse maldito momento,
E das lembranças passadas
Que ele me trouxe.

Queria dormir,
Pelo menos dez anos.

Ter um novo amanhã,
Que não sucedesse
Ao dia de hoje.

Estou travando uma guerra
Contra tudo o que eu era,
Por tentar conservar
O que me restou.

Fugir do filme de horror
Que teima a se reprisar,

Na minha frente,
Dentro da minha mente,

A cada grito,
A cada passo

Bate forte o marca-passa.
A té quando vai bater?

Os fragmentos estão todos no chão
Cada caquinho tem a sua importância

Pra tentar definir,
Aquilo que me restou.
Será que há esperança?

Nâo quero a velha ilusão de ser super-homem.
Não, por favor, quero apenas ser eu.

Mas quero que seja meu,
Tudo oque eu,
Pretendo conquistar:

-A chance de um dia
Ter um pouco de paz.

Meu Deus até quando travarei essa guerra?
Será que algum dia haverá uma trega?

MARCOS ROBERTO MOREIRA

12 de jul. de 2008

PARTO

Em dores de parto produzo
Mais um novo rebento
Uma poesia
Um desenho
Ou um conto
Que nascem de um esforço medonho,
De dar vida a um pensamento.

21 de jun. de 2008

FAZER VALER


Não descarregue em mim suas frustrações

Como seu eu fosse um saco de pancadas
Pronto para você bater

Se sua vida é cheia decepções,
Saiba que isso
Não acontece apenas com você.

Então não venha com essa
De que nada faz sentido
De que a vida não presta

Você tem de fazer
A sua vida valer

Se você não se ajudar
Eu não posso fazer nada por você

Então cresce

Amadureça

Encare a vida de frente

Não desista de lutar
Antes de tentar

Tente!

Busque o que quer
E certamente achará.

POR QUE EU?

Nesse mundão de Deus
Por que justo eu

Tinha de viver essa vida?
Tinha de sonhar esses sonhos?
Tinha de apostar essa corrida,
Que sei que não posso vencer?

14 de jun. de 2008

MEDIANO

Não chego a ser um gênio
Mas meu Q.I. é um pouco acima da média

Também não sou feio
Mas não chego a ser um galã de novela

Simpatia? Até tenho
Mas não consigo ganhar dinheiro com ela

Criativo?

Eu desenho
Mas não como o Michelangelo


Eu escrevo
Mas não como Castelo Hansen

Sou assim:

Nem quente
Nem frio

Eu sou mais ou menos
Sou morno
Mediano

Mas tenho certeza
Que ninguém nesse mundo
É tão mais
E tão menos
Na proporção que eu sou

A FÓRMULA

Existe uma fórmula para beleza?
Não sei responder

Mas se existir
Foi em você
Que deus a usou

Pois não consigo lembrar
Em nada mais lindo
Do que seu olhar
Do que seu sorriso
Seu jeito de ser

MANIFESTO

Vamos fazer um manifesto

Um manifesto sobre nada
Dirigido a ninguém

Um grito de um mudo
Dirigido a um surdo

A luz que clareia
O caminho de um cego

Um manifesto

Para pedir paz na terra
Amor entre os homens
Comida aos famintos

Como múltiplos de zero
Como um vácuo no espaço

Um manifesto

Para não sermos ouvidos

...desisto!

RECIPROCIDADE...?

Tudo que eu tinha pra te dar, eu te dei:

Minha vida

Meus pensamentos

Meus sonhos
Meus sentimentos

Em troca do que?

Do seu descaso
Do seu desprezo

Do seu “muito obrigado

mas eu não mereço”

Não merece mesmo!

Nem meu amor,
Nem meu ódio

Pois percebi
Que quando penso em você
Eu costumo esquecer
Do meu amor próprio.

NOVOS VELHOS

Novos dias para um velho novo
Novas roupas para um novo velho

Os tempos idos
Sonhos vividos
Ou nunca vividos

Terceira idade
(Melhor idade?)

O tempo curva-se com o corpo
E não há mais tempo
Para se tentar algo novo

Como se toda energia
Que já se teve na vida
Fosse transferida
Para uma nova geração

Netos, bisnetos
Gente mais moderna

E o que já foi atual um dia
Agora se tornou obsoleto.

A PÍLULA VERMELHA

O que é a realidade?

Será um sonho,
Onde se tem a sensação de se estar vivendo.

Momentos

Pensamentos

Sentimentos

Nossa concepção do mundo que nos cerca
Será que está correta?

Ou é somente uma peça
Interpretada para nos convencer
Que tudo isso existe realmente

Talvez sejamos apenas
Meras consciências
A tentar se encaixar num mundo fictício?

Pois se existo por que penso,
Tudo mais – objetos inanimados
animais e vegetais -
Que não possuem sequer
Um pensamento racional,
Não são reais.

Então, afinal
O que é a realmente real?

9 de jun. de 2008

ANTIMATERIA

Esses meus versos

São cenas de horror,
histórias de amor,
E de artes marciais.

Idéias de louco,
Um cisco no olho,
Picadas letais.

Esses meus versos

De rimas cretinas,
De ervas daninhas
São sempre iguais.

Iguais aos meus dias
Aos Meus pensamentos,
A esses momentos
Que não passam mais.

TRILHAS DA JUVENTUDE

De que me vale a bela natureza,
Se em pessimismo, vendei meus olhos com a maldade,
Que escondeu de mim toda a beleza,
Que enxergaria ao ver os raios da verdade.

E a única coisa que eu pude,
Ao percorrer as trilhas más da juventude,
Foi concluir que essa vida é muito rude,
Pois não enxergava a realidade.

Por que ao invés de ir tocar
As flores lindas que florescem com o amor,
Permaneci muito tempo a tatear,
Pedras pontudas que só me trouxeram dor.

E a pedra que eu insisto
Em permanecer do lado,
São os erros cometidos
Que tem sempre me ferido,
Toda vez que são lembrados.

E enquanto eu os toco,
Me esqueço que a vida
Não se resume ao passado,

Mas se estende muito a frente,
Muito longe dessa trilha
Onde tenho caminhado

Ah meu Deus como eu desejo
Desfazer esse nó cego,
Dessa venda da maldade!

Para ver se eu enxergo,
O caminho correto
E consiga encontrar
No meio dessa floresta,
O bosque da felicidade,

Para ali eu residir,
E encontrar tranqüilidade.


25 de mai. de 2008

A QUEIMA ROUPA

Uma arma,
Uma bala,
Um tiro no peito.

A vida vermelha
Fluindo no beco,

Estampa no chão
Um retrato cruel
Da realidade.

Infelizmente a vida
Não imita a arte

E não vale nem mesmo
Um calçado,
Um trocado

Pra quem mata e acaba
Com um sonho que ainda
Nem foi começado
E já terminou.

Mas e o sucesso?
Chegou muito tarde.

No noticiário
Na tela, o retrato
E o nome distinto
E pronunciado:

-Fulano da Silva
Já foi encontrado
Na rua jogado
Fedendo carniça.

Foi mais uma vitima
Da guerra dos homens

Que foi consumido
Pela fome terrível
Do ser "desumano"
Pela crueldade.

Acaba-se o dia
E o noticiário

Continua a vida
De quem por enquanto
Não foi encontrado
Fedendo carniça
Na rua jogado,

E não teve o retrato
Mostrado na tela
Do noticiário.

-Até amanhã.
Espero que tenha
Uma boa noite,
Uma boa sorte,

Uma boa ...Morte?

FUSÃO

O que é a lógica?
O que são as leis da natureza,
Se quando estamos juntos,
Nem mesmo a gravidade nos mantém no chão?

Pois flutuamos tão leve quanto o ar,
Suspensos na nossa própria realidade,
Tão alto que nada de mal nos alcança.

E quando nossos lábios se tocam
A luz que emana de nós,
E capaz de escurecer as estrelas.
E capaz de derreter os planetas.

Porque o amor tem esse poder:

De desobedecer qualquer lógica,
De ir além de qualquer expectativa,
E de tornar a nossa realidade,
Maior que o proprlo universo.

22 de mai. de 2008

BRADO

Um gemido
Abafado pelo medo
Se junta a outros gemidos
Que em uníssono
Tornam-se maiores que um grito
Tão fortes como um brado
Ecoando pelas ruas
Acordando a tudo e a todos
Com a força de uma tormenta

Um brado
Para invocar força aos fracos
Energia aos cansados
Comida aos famintos

Um brado
Que como um grito de guerra
Dá fôlego a um soldado vencido.