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24 de dez. de 2008


Morro pelo amor
E continuo assim vivendo
Enquanto o mar vai crescendo
Pelo rio nele desmanchar
Sustento minhas palavras
E morro de uma só vez
Afogo a sensatez
E deixo o fogo queimar
Não peço por socorro
Aposto no jogo da vida
Deixo a tarde mais comprida
Para o sol se despedir
Não deixo o vento partir
Sem levar meu sopro junto
O que tinha de mais profundo
Meu último respirar
Morro de amor
Morro e nasci, cresço e sou
Nas palmas para o sangue escorrendo
Vem com ele muita dor
Morro pelo que cobre meu corpo
Morro e não peço socorro
Morro e por amor imploro
Morro, vivo, choro
Te mato com meu amor
Te consumo com um fogo sagrado
Na velocidade do mais veloz carro
Eu passo e ninguém vê
O livramento que eu procuro
São as amarras mais fortes
Não existe escravos sem seus cortes
E sem as lembranças das senzalas
Morro por um amor cheio de chagas
Quero estar amando retalhada
Pelo cansaço de uma cavalgada
Que dela ganhei apenas os calos
Morro por amor de laços
Com nós que posso jogar fora
Não sou mais menina, sou senhora
Posso desfazer do que eu quiser
Morro com amor de mulher
Com esperança de nascer todo dia
Um dia, numa noite tão fria
Passei a conhecer um rei
Morro rainha de um ser
Que matou o amor que plantei
Que muito amor desejei
E morri, por que era demais
Morro pelo amor que me traz
De volta as sedas no corpo
No tronco de uma arvore no campo
Eu tenho que repousar
Morro pelas ondas do mar
Morro pelo ar tão salgado
Morro pelo marinheiro avistado
Tão só procurando a sereia
Morro pelos grãos de areia
Que vão impreguinar minha pele morena
Que vão ter ciúmes pela lua em cena
A única que pode me despir
Morro por ter que partir
Morro pelo amor das ondas
Morro e sei que sondas
Mas não lê o que passa em minha mente
Morro pelo pensamento presente
Que me mata apenas por dentro
Uma morte que sei que agüento
E morro quantas vezes puder
Morro pela voz de mulher
Morro pela força que eu tenho
De despetalar uma rosa ganhada
Por todos os moinhos de vento
Que morra tudo na vida
Para que possa ser bem mais presente
Eu morro de amor nesta sina
Por que é assim que me sinto contente!
Rosefly

Lírios ao meu poeta

Mando-lhe lírios
Meu poeta
Por que as rosas são tímidas
E de tão vermelhas se esconderam
Creio eu que, a flor em meu jardim, tem nome.
Mas o que seria um nome?
A rosa se não se chamasse rosa, perderia seu perfume?
Dê-me então outro nome, e guardarei pra ti as flores que virão
Na próxima estação de meu ser, inovado, virgem, e maduro.
Preciso-te meu poeta...
Para ser muito mais que apenas uma folha, que apenas um grão, que apenas letras
Aquelas soltas nos jornais
Ou as soltas nas vozes roucas e serias
Transformei-me em flor, para ser um pouco dentre seus dedos
Provar der um calor inigualável
Que há nas mãos destes seres celestiais
Meu poeta
Fiz um sol lindo, desenhei uma lua cheia
Enfeitei-me de luz
E te quis muito
Sussurrei seu nome
Tirei minhas vestes sem culpa
Agora ouço calada sua voz em meus pensamentos
Pois sou o lírio que tu vens agora cheirar...

Rosefly

Teu doce

Sei que amas meu doce
Num tom tão doce
Na senda mais doce
Na crista mais alva
Só para falar de doce
Encontro mais só que a vela
Na chama pequena da cela
Que pulse de rispído fogo
Meu doce é tão teu
Tão erótico
Tão vasto
Tão voltado ao açucar com mel
Num gesto tão simples
De pincelar as pontas das unhas
Meu doce escorreu em fagulhas
Que agora
Te adoça
...


Rosefly

21 de set. de 2008

Vermelho Carmim



Estava ainda no transe
Daquela consciência inflamada
O velho espelho ainda estava
Refletindo vermelho carmim

Conduzida certa donzela
Pela avenida de lençóis
Teus olhos não tinham mais prantos
No sorriso do eterno jasmim

Pra que dizes nomes e coisas
Que não valem o silencio da palma
Viste o corpo tomando outro estado
Quando invadiste a caverna da alma

E vermelho percorre tal chama
E te rouba suspiros perdidos
Sela a boca com beijos contidos
Espalhados no leito da cama

E ainda com os olhos parados
Não vimos passando por nos
O vento, o sol e o dia
Torna-se vendaval e trovoada sombria

Se contendo para não adoecer
Na calma que os abranda
A musica da concubina
Sopra nas narinas lavanda


Nunca param por que não conseguem
O fim é começo de tudo
O carmim fica ainda vermelho
Novamente é porto seguro

Em leves mordidas se acham
Por que sabem que nada procuram
Não querem saber da energia
Que tão logo de leve os sugam

E o fogo percorre paredes
E acendem leves labaredas
Que queimam partes inteiras
Das vontades de noites faceiras

Onde os braços alcançam tementes
Decepados por braços parentes
Não se escapam das garras vorazes
Nem da certeira picada da serpente

Ele a quer cedendo aos olhos
Ela o quer marchando devagar
Numa guerra de poucos soldados
Grande mundo vai se formar

Nem as horas que perdem com riso
Nem maçã que roubaram do paraíso
Não terminam por que querem começar
Como onda que quebra no mar

O vermelho carmim que assombra
E ainda persegue a fada
Faz donzela mulher tão louca
Faz mulher plena e consagrada

E ele toma teu corpo para si
Saciando a vontade contida
Atados de olhos fechados
Respiram o desabrochar da vida

Deveras voltar ao começo
Onde tudo tinha terminado
Só os jovens não tinham notado
Que o fim tem seu apreço

Pois agora um abraço apertado
Fez menina e menino despertar
E ver que ainda crianças
Conseguem reconhecer o lar

O lugar dos amantes noturnos
É lugar dos lírios amanhecendo
Salve! Salve! Os dias vividos!
Pois todos os dias estão acontecendo.

Rosefly