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6 de fev. de 2008

MENINA

Menina teus olhosdoce ingenuidade ninfa desamparada no jardim do solar sigo teus passos sem saber destino encontro arrebatado de limites Menina e mulher Masturbação de sentidos

Circo da Vida

Abrem-se as portas para o circo da vida.Como atração principal: A violência.Ocupando destaque e ganhando a atenção de todos.Que estão com medo, tristes e fugindo.Fogem, trancam-se, enjaula-se, são condenados.Ao crime de viver no mundo evoluído e civilizado.Fecham-se as portas para o circo da vida.O palhaço não faz rir.As crianças não brincam nem se divertem.Estão com medo de serem machucadas.Mas o trabalhador malabarista da vida Ainda faz malabares na corda bamba da vida.E os espectadores com os olhos fixos e atentos.Tentam ver lá ao fundo um pouco de felicidade neste mundo cruel e de maldades

Saudade

Quando o primeiro instante da saudade se confunde, com o último ato daconquista tão desejada, palavras calam qualquer fala, e procuram negarqualquer desconforto sentido.É exatamente nesta hora da separação necessária, para a qual a vida fazanalogia com o nascer, que os significados do que fazemos, tem um sentido maior.O sentido de nos fazer perceber que a vida nos impõe o outro comoconvivência necessária e criadora. E indica calada e ao mesmo tempoansiosa, que seja breve a descoberta de que o saber é feito por muitasmãos e o Ser por cada toda emoção.Mas que também lhe tenha substância superior, cujo éter o eleve a olhar o caminho do ir e do chegar sem tropeços, que ignorem ao homem, sua condição de viajante em busca da perfeição.Agora em que nossos abraços são mais amigos e nossos corações maisenriquecidos, também é nossa a certeza dos motivos cumpridos!E como fala o poeta: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena..."

Escravos

Serpenteia no ar de encontro às costas largas e macias dos escravos do trabalho o chicote veloz dos Deus Dinheiro.Feitor avarento e ferozchicoteia, humilha, impõemobedecemos....reclamamos, mas obedecemos....oh sinhozinho, veja só vós micê, sois dono de tantas almasmilhões de escravos e quantas almas mais se oferecem a preço de banana a tua empreita?oh sinhozinho, veja só vos micê quanta miséria a tua falta produz.ah... e que saudade estranha sente o meu povo de ti?porque almejamos tanto a liberdade sem conhece-la?homens livres se arrastam da praça da sé no coração de meu estado para a pequena XXII de novembro no centro da minha cidade ou vice e versa.nômades,vagantes,putas,vagabundos......isentos de identificação civil,qualificação profissional,taxas,impostos e responsabilidades, a felicidade se arrasta pela praça publica, única propriedade não declarada de meu povo.Deus Dinheiro estes tu não tens, estes não estão sob teu domínio.nunca os tiveram como senhor.senhorzinho veja só vos micê boquiaberto que no berço da miséria imperam outros Deuses e muitos demônios.porque não?, a dualidade me seduz....Deus e o Diabo de mão dadas na terra de ninguémestes vós não dominas sinhozinho.há muito que nos libertamos de ti e dos que nos traemse queres a nós vós quereis o bem- então fora daqui com o teu desassossego e castigo-fora que já é tempo.

Caminho

CaminhoVem por aqui Eles me gritamEu não ouçoNão seguir ninguém é minha regraNão seguirei ninguémMeu caminho trilho sozinhoPorque este é só meuEgoísmo?Que seja, mais com vocês é que não vou.Vou sozinho por ali, por ai, por lá.Mas se me chamarem Vem por aquiPor ai não vouVou por ali em meio a putas, malandros...Mendigos aos farraposGuiados pela loucura Loucura de não seguir ninguémAs ruas são largas e escurasUma legião de loucos me seguemAnjos fazem sexo nos becosUma lembrança me persegueSaudades de tempos indosAlegrias passageirasFast-foodFácil, rápido...Alegrias poucasVem por aqui

Minuano

MinuanoMinuano me sopre ao pé do ouvido, boas novas de terras distantes.Noticie a paz no mundoO amor entre os homensA conversão da fé em uma verdade única e absolutaSufoque com seu sopro divino o egoísmo dos donos do mundoMinuano espalhe por ai as conversas de boca miúdaPropaguei os segredos dos que cochicham pelos cantosMinuano poeta primeiro de horas incertas sopre seus versosPelos vales profundos Por entre a selva de pedrasPreencha este vazio com sua poesiaMultiplica por milhões a intensidade dos ventos produzidos pelo bater das asas da borboleta azulVarra pra longe daqui esta loucura que é viver.