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22 de jun. de 2009

O mundo

Não sei se o que está porvir
Será bom ou ruim
Quanto ao passado
Não quero verter uma lágrima
Pelo que não foi feito e dito.

Por isso vivo o presente
Não me preocupando com o tempo
Que se consome como uma vela.

A cafeteria está por lá a me esperar
Degusto meu café e fico observando
As pessoas ao meu redor
Talvez eu encontre alguém conhecido por lá.

Fale minha língua
Comungue de minhas ideias
E discorde se julgar necessário
O mundo surgiu do caos
E foi se moldando sabesse lá como.

E garanto a vocês
O mundo continua um caos:
Testes nucleares, gente faminta
E guerras civis
E ainda há que diga que irá melhorar.

Devemos nos orientar por valores
Que seja nobre ao nosso espírito
O mundo fora feito em sete dias
E por descuido pode acabar em minutos.

16 de jun. de 2009

Assim é a vida.

Sentir a palavra de afeto
Degustar o prato indigesto
A vida é de alegrias e tristezas
E não é diferente com ninguém.

Uns extrovertidos outros introvertidos
Uns modernos outros conservadores
E creio que nada foi diferente
A única coisa que muda é o tempo
Fazendo com que a gente envelheça
E lá no final da vida
Recordaremos de tudo que fizemos.

Nossa infância deveria ser só brincadeira
Nossa adolescência se afloram as dúvidas e incertezas
E na fase adulta tomamos juízo ou não.

A natureza nos iguala
Pouco importa o cargo que ocupa
Pois a sete palmos do chão
Ninguém ligará qual foi sua ocupação.

De todas as mentiras
A única que faz bem são as sociais
Das verdades só aquelas que edificam
As pessoas que estão ao seu redor.

Pois se você não tem piedade pelo seu próximo
Será crucificado em uma causa nada nobre
Crendo que está acima do bem e do mal
E chegará a conclusão de que isso são quimeras
Que nortearam sua vida.

15 de jun. de 2009

NARCISO

A sua ira
Não me irrita
Pois Narciso
Se acha tão bonito
que prefere ficar a contemplar
a sua imagem refletida
e tornar-se um vegetal.

Alheio e com desdém
Diz amém as suas próprias vontades
e se torna um verdadeiro autista
vivendo em seu mundinho
na qual o afeto é direcionado
ao seu próprio umbigo.

14 de jun. de 2009

SUAS PALAVRAS

Contemplo as nuvens que passam tomando formas
E a imaginação toma asas
Fazendo daquele bando de fumaça
Coisas variadas que agrada todos os gostos.

Pena que pensamentos pueris
Se consomem com o tempo...
A não ser que você seja um homem das letras.

A partir do momento que ninguém não se importar com
A sua dor de dente e intrigas
Você se resumirá a um bicho
Que prefere MP7 do que gente.

Não adianta ter tudo e não ter alma
Pois aquilo que aplaca minha raiva
São somente suas palavras.

8 de jun. de 2009

Esperança

Dos sonhos, só me resta de consolo
Aquele que é exibido na padaria
Já que o indivíduo está acima do coletivo
O jeito é trilhar meu caminho sozinho como eremita.

Há quem diga que estes são desvairados
E eu os acho um bocado sensatos
Pois nesse mundo cão
Em que jogar criança pela janela
Para se espatifar no chão
É algo tão banal
Quanto beber água mineral.

7 de jun. de 2009

Sugismundo

Temos que aparar uma aresta
E dar uma festa para comemorar.
Mesmo que isso acabe em barraco
Pois, o importante é festejar.

Luzes, risadas e piadas
Não sei se o tamanho do meu sorriso
É aquilo que está em meu interior.

Tudo é meio confuso
De poeta a vagabundo
Desconheço meu ofício
E sigo meu caminha como Sugismundo.

31 de mai. de 2009

Construção

Egos inflamados
E ninguém percebeu
Que aquele status
Não torna o meu eu
Melhor que nós.


A beleza externa
Está na ponta de um bisturi
A interna fora construída
Desde tenra infância
Levando puxão de orelha
Para que ao chegar a maturidade
Poderia dar melhores frutos
Do que a rebeldia de minha tenra idade.

O alicerce é sólido
E posso agüentar qualquer tempestade
Que venha me dominar
Mesmo que isso arranque as telhas
E deixe minha TV fora do ar.




Rafael de Paula.

23 de mai. de 2009

Serenidade

Tem gente que não acredita no amor
E espero que o meu seja eterno
Tanto faz se é Eros ou ágape.

Temos que buscar nosso equilíbrio.
Nem quente nem frio
Pois a sensatez entre a razão e a emoção
São os melhores caminhos a serem seguidos.

Tem gente que é só matéria
Outros pura alma
Que com muita calma
A tudo conduz..

Serenidade é a palavra chave
Para todos os males da humanidade
Pena que a cega razão de alguns
Os conduza a muita perversidade.




Rafael de Paula.

16 de mai. de 2009

Arte...és minha sina!

Inquieto como criança
Aprendi desde minha infância
Que a curiosidade
é quase tudo na vida.

Desenhei castelos
Escrevi e escrevo versos
Modifico provérbios
E faço do marasmo
Minha fonte de inspiração.

Sentado ao computador
Minha imaginação
Percorre caminhos
Que me deixa em curto circuito.

Aquilo que aspiro
Está além do horizonte
E das colinas
Pois nenhuma geografia
Imporá limite
A palavra por mim proferida.

Arte...és minha sina!

PALHAÇADA

O que seria de nós sem os sonhos?
Seres apáticos comendo pedaços de plásticos
como verdadeiras máquinas
que fazem quase tudo sem nada questionar.

Ainda bem que temos o nosso pensar
E registramos em palavras
Nossas emoções e karmas.

Devemos fazer dessa vida um circo
E uma verdadeira palhaçada
Para que ao findar da aurora
Possamos contemplar
O arco-íris que paira no ar.

9 de mai. de 2009

Há quem diga que a vida é dura
Há quem diga que estes são moles
Há aqueles que não dizem nada
E fazem do silêncio a sua oração.

Tem gente que é só tristeza
Tem gente que é só alegria
Há aqueles que vivem o presente
Outros são pura nostalgia.

De uma coisa tenho certeza
Somos seres únicos
Pois todo aquele que passa pelo mundo
Deixa a sua marca.



Rafael de Paula.

3 de mai. de 2009

Auto-descrição

Tenho um pouco de Lázaro
tenho um pouco de Cristo
Só sei que meu caminho
eu abro com a foice
e ao cair da noite
dormirei na toca de um índio.

Já fui primata
comendo minha caça na caverna
Hoje fico em minha casa
assistindo novela.


Rafael de Paula.

2 de mai. de 2009

Sociedade de castas.

Criar a palavra
dividir átomos
mostrar os fatos
ser motivo de piada.

Os verdadeiros heróis
estão longe dos holofotes
fazendo de grandes obstáculos
um verdadeiro nada.

Essa igualdade dissimulada
Todo preconceito infundado
corrobora para uma sociedade de castas.

26 de abr. de 2009

SOBRAS

Vivemos num mundo complexo
Em que o nexo das coisas
Parecem indefinidades
Como uma partida de futebol
Em que a torcida não chora nem vibra.

E toda essa apatia
Revela a falta de ideologia
Que falta as nossas pessoas.

Há quem chora de fome
Há quem chora por champanhe
Há aqueles que não tem voz nem vez
Vivendo com as esmolas
Fazendo das sobras seu prato principal.

21 de abr. de 2009

A poética

Toda convicção é fundamentada na relatividade do tempo
Toda verdade é aceita durante certo tempo
Chega de conversa, sou homem de pouca prosa e muita poética

A inspiração pode estar em qualquer lugar
Basta um papel e uma caneta
E colocar o coração para pensar.

Uma estrela pode ser a centelha de um verso
Há quem faça da poesia uma forma de protesto
E eu, como não gosto de rótulos, apenas tento ser sincero.



Rafael de Paula.

19 de abr. de 2009

SINGELEZA

Num momento de tédio
Pensamentos profundos
Me soam patéticos.

Olho para o sol
Durmo na musicalidade da chuva
Embalado nos sonhos da musa
Que me tira o sono
E me deixa mais sério.

Chega de cavar a própria cova
De ficar na fossa ao som duma bossa-nova

O Carnaval e a primavera
Pode ocorrer todo dia
Desde que você se entregue
A beleza das coisas singelas.



Rafael de Paula.

11 de abr. de 2009

REMEDIANDO A DOR.

Nenhum de nós aprendeu a compor
Algo que exterminasse a dor
Já que ela me é inerente
O jeito é conviver com ela
Remediando com amor.

O importante é que tenhos bons amigos
E estes me dão conforto e abrigo
E isso já é o suficiente
Para que eu possa dormir contente.

A todos que estão do meu lado
Recebo de bom grado
Todas as suas inquietudes
E que o meu cansaço seja recompensado
Com sorrisos que me dê mais brilho
Para prosseguir meu caminho.

E aqueles que passaram por mim
E me deram uma lição de vida
Deixo o meu muito obrigado.



Rafael de Paula.

9 de abr. de 2009

EM BUSCA DA FELICIDADE

Uma vida vale mais que uma obra
O choro da criança é a esperança do amanhã.
Quando Adão comeu a maçã
Perdemos a ingenuidade e fomos expulsos do paraíso.

Passo pela vida como quem diz
Um até logo ou até breve.

Guarde seus rancores
Seus ressentimentos
Ninguém merece ser cultuado como um Deus.

Devemos deixar a alegria nos lábios
Daquele que degusta da vida o sabor amargo,
Pois nenhuma matéria trará satisfação
Caso não esteja de bem com o seu coração.

Não pense que qualquer ideologia
Trará temperança a todas as suas inquietudes
pois o verdadeiro paraíso consiste em cultivar amizades.



Rafael de Paula.

RECEITA

Tento traduzir em palavras
os assuntos pertinentes a alma.
É um trabalho cuidadoso
pois não se pode ser negligente ou demagogo.

Tá escrito no jornal, bem na parte do horóscopo
que ficarei rico e perderei tudo no final.

Receberei o presente de grego?

Não assumimos as rédeas do destino
Dos homens virtuosos aos ímpios.

O futuro a Deus pertence
E não pense o contrário
Por mais obstinado que seja
O vento pode soprar forte
E te jogar do outro lado.

Somos limitados e impotentes por natureza
E a quem a isso aceita
Recebe a receita de uma vida cheia de tranqüilidade.



Rafael de Paula.

21 de mar. de 2009

A PENA QUE CARREGO

A PENA QUE CARREGO

A pena que carrego/ escreve linhas tortas/ transformando em prosa/ tudo aquilo que me incomoda// Entre Gregos e Troianos há os Espartanos/ que sempre lutam/ pelos seus objetivos/ e quem dessa batalha sai vivo/ compartilha sua memória/ para comemorar sua vitória// Só espero que o bobo da corte/ não faça de chacota/ todo o meu empenho/ e quando me olhar no espelho/ espero me orgulhar/ de tudo que já fora feito.


Rafael de Paula.