Mostrando postagens com marcador MARCUS DI PHILIPPI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MARCUS DI PHILIPPI. Mostrar todas as postagens

10 de mai. de 2008

SILÊNCIO

Tão tristemente a tarde
Na voz de um sino repica,
Um sentimento, a saudade
Não esta que a tudo invade
E sim do sino a que fica.

Como em versos não ditos
Um silencio, tarde escura...
No som repleto de gritos
Dias perdidos, conflitos
É o sino que me procura.

Mas não acha ele a mim
Não estou em me achar..
E no som que não terá fim
A tarde se fez de mim
Só pra o sino a procurar.

Marcus Di Philippi

RELICÁRIO

Repentino, súbito e leve
O meu pensamento calado
Já pouco sabe e não deve
Saber porque fui pensado.

Em tudo que ele condensa
Sou uma idéia tão fina
Que ele não viu como pensa
Só acha que a imagina.

Assim ele nunca me vê
Então atrevo-me a achar
Que ainda o tenho porque
A nada consigo deixar.

Marcus Di Philippi

CONJECTURAS

O que diz a minha boca
Não é aquilo que penso,
Toda palavra é pouca
E não dizê-la é imenso.

E se minha boca não diz
Aquilo que eu imagino,
Ela apenas se contradiz
E eu não a determino.

Assim eu apenas me calo
Onde só posso sentir,
Direi sem pronunciá-lo
E me escutarás sem ouvir.

Marcus Di Philippi

ABANDONO

Minha mente está tão longe.
É distante o que sou dela.
Ela me vê como um monge,
E eu a tornei minha cela.

E, como criança assustada,
Tão tristemente sozinha,
Assim perdeu-se a coitada,
Sequer percebe que é minha.

E os dias se passam assim,
Como se eu fosse ninguém,
Pois ela não sabe de mim,
E eu fui ser outro alguém.

Marcus Di Philippi

ETERNAMENTE

O silêncio vago inspira
Um não sei quê na distância...
Música perdida, a lira
Em meio à chamas, a pira,
Perfume suave, fragância.

O vazio é magro, é fundo,
Suavemente indistinto,
É sono leve e profundo,
Asas cansadas, o mundo
Na taça de vinho tinto.

O silêncio, o sono, a vida,
Cristais partidos, o nada.
Um coro de voz comovida,
A ave que voa esquecida,
Em busca da alvorada.

Marcus Di Philippi

19 de mar. de 2008

FEBRIL

A dor do vento espalha
Em horas de desalento
Uma cantiga que entalha
A voz mosaica do vento.

É uma canção machucada
Versos feitos de dores
Com Feridas e batucadas
Lágrimas, medo, tambores.

E num cortejo martela
Para além de se ver
Aquilo que não revela,
Tentando se esquecer.

Marcus Di Philippi

PENITENTE

No caminho do mosteiro,
O ente que lá vai ter,
Não vê tudo por inteiro,
O inteiro é nada ver.

O que vê é o resultado,
Do caminho que acontece,
Num instante do passado,
Que passado não parece.

Se isto tudo nada diz,
Não importa então chegar,
Que o caminho não te quis
Ao mosteiro revelar.

Marcus Di Philippi

FRAGILIDADE

O mar que eu tanto temo
Também tem igual temor
é apenas meu extremo,
Um misto de sonho e dor

Me diz do medo que tem
Fingindo que eu soubesse
Para que eu diga também
Como se nunca o tivesse

Imagina que não o vejo
Cismando não me olhar
Como se fosse um desejo
Fingindo que não é mar.

Marcus Di Philippi

9 de mar. de 2008

FOLHA MORTA

"A poesia pertence ao poeta até o momento em que é escrita,
a partir dai ela pertence a quem lê"
Ibrahim Ibiza

Já não falo de mim, já não importa
E eu somente falaria sem falar...
Invejo-te completamente, folha morta
Trazes consigo a dor que te conforta
E eu minha total ausencia de estar.

E não é o fato de perder-me em tudo
Que faz nossa existencia assemelhada,
Sinto-te e no sentir calado e mudo
Faço de ti o meu proprio estudo
Sendo apenas eu a matéria estudada.

E nesse estado de coisas, imagino,
Que tudo isso não podia ser assim...
Tu nunca fostes o objeto que examino
Mas a lembrança, o choro repentino
De uma outra folha que existe em mim.

Marcus Di Philippi

4 de mar. de 2008

APRENDIZADO

A lágrima é como um martelo
Golpeando uma bigorna,
Diz tudo que não revelo,
Extrai de mim o mais belo,
O que não sou ela me torna.

É um fio de água atrevido
Escapado de seu leito.
Adorna o rosto comovido,
Entalha o embrutecido,
Moldando-o a seu jeito

E, como um ferro surrado
E desfigurado por ela,
Apenas quem tem chorado
Quem teve o rosto molhado
É grato a quem o martela.

Marcus Di Philippi

ALAÚDE

Vem do som do alaúde
Certa coisa que ouvi
Que tão rápida não pude
Perceber o que senti.

Eu não sei quem o tocou
Ou se apenas fui tocado
Por aquilo que pensou
O alaúde do meu lado.

Ou se só no esquecimento
Eu não tenha percebido
A incerteza do momento
De eu nada ter ouvido.

Marcus Di Philippi

29 de fev. de 2008

POR DO SOL

Meu pensamento sempre voa
Não por um motivo preciso,
Ele Apenas se lança à toa
Porque é vago e indeciso.

Mas há um lugar eu sei
Onde ele pretende chegar,
Este lugar eu mesmo criei
E foi isso que o fez voar.

E um dia estou bem certo
As suas asas o levarão,
Nós dois iremos, decerto
E os outros não saberão.

Marcus Di Philippi

15 de fev. de 2008

TRANSIÇÃO

A minha alma é intagível,
Naquilo que sei dela,
Faz-me querer o impossível,
Só por ser assim tão bela.

Eu sou o que não pareço,
Nela por dentro de mim,
Como o difícil recomeço,
De tudo que é sempre fim.

E se somos então os dois,
Apenas um e nada mais,
Que coisas virão depois,
Se somente serão iguais.

Marcus Di Philippi

7 de fev. de 2008

AINDA ONTEM

Ainda ontem,
quando seguíamos juntos
perdidos diante do horizonte perplexo,
Me havias perguntado
se o sentimento que a ti
devoto contém a essência do amor.

Bem, não sei ao certo...
como seria possível,
definir um sentimento?
Como seria possível restringi-lo?
Dotá-lo de uma qualificação?

Não sei!...
Como seria possível amar a ti?
Não seria isso acaso
simplificar o amor
E resumir-te
a um sentimento?

Não seria isto, talvez,
definir-te quando o
que sinto transcende
todas as possibilidade
de fazê-lo?

Concluo assim
que não te amo!

Amo-te mais que o amor
portanto não te amo...
E nunca amarei...

E o amor que tange este corpo
desgastado pelos anos
é mais que amor...
É a doce veneração de todos
os sentimentos...

Devoto-me a este amor
mais que ele a si próprio
Então também não amo.

Mas digo-te sinceramnete
busco aprendê-lo...

Quem sabe num dia desses
Quando o horizonte
nos convidar novamente
para com ele
nos avistarmos
possa eu responder-te

Marcus Di Philippi

EXÍLIO

Desperto com o sol
Nas manhãs tristes.
Verão ou inverno
Não importa.
Longe de casa
Sempre tudo é eterno
E sempre se está longe
De casa
E sempre tudo é
é uma eternidade.
Os momentos são
frios diante deste
estranho sol
Que me olha com
uma piedade quase
que artesanal,
Dessas desenhadas
em pano de
prato e a qual
ninguém dá importância.
Isso também não importa.
Tudo o que importa,
na verdade,
é que estou interrompido
diante da eternidade
perplexa de meu dia-a-dia.
Busco essa emenda,
ignorada emenda...
Onde ela está?
Onde buscá-la?
Não escrevi para que
me leias tu,
Mas pra que me respondas
Onde ela está? Onde buscá-la?
Mas não respondas afinal,
não a mim...
Essa pergunta deve ser
aquietada...
Parece que não sou o único...
Há mais de minha espécie...
Todavia o sol se ri,
Continua frio
e eu longe de casa.
A mesma casa
a qual habito
e da qual nunca me
ausentei...
E a piedade jaz
no tanque a espera de que
a lavem...
E ela nunca é a mesma
depois disso.

Marcus Di Philippi

ESBOÇO

Ontem, ao entardecer
Nos fitamos nos olhos
Eu e ela
Sem nada dizer:
O silêncio falava
por nós dois.

Inesparedamente
uma brisa mansa
e indelével
segredou-lhe algo
ao ouvido.

Percebi-o pelo
leve esboço
de felicidade
que seus lábios
deixaram escapar.

Meu coração pulsou
descompasadamente
e pensei
enfim não preciso
dizer nada
Ela já sabe.

Marcus Di Philippi

A CIDADE

Chuva, carros
silêncio,
nuvens carregadas,
gosto azedo do
dia anterior,
rostos em pânico...
Uma desordem
desconhecida e
calada...

Amiúde me vejo
no espelho,
como uma cidade,
onde os homens
caminham taciturnos
e infelizes,
buscando
sair de um peso
desconhecido...

Da janela me espreita,
em uma coreografia
arritimada,
um rosto que desenha
palavras
sem sentido...

Ele, de certo,
busca a mim
e eu não busco nada...

A cidade

Que dirão quando souberem
Que tudo foi uma mentira.

TENDES COMPAIXÃO

Tendes compaixão por quem sofre
E numa agonia inconcebida
Revela sua dor como um cofre
Aberto ao longo da vida.

Tendes compaixão por quem grita
E em seu silêncio assustado
Procura um remédio à aflita
Dor que o fez ter gritado.

Tendes compaixão por quem vive
Pois viver é uma imensa dor
É a porta aberta do esquife
Que não ouve nenhum clamor.

Marcus Di Philippi

INDEFINIÇÃO

Eu Tenho medo de não ter medo
De tudo que é medo em mim,
Como as sombras do arvoredo
Que esconde flores no jardim.

Como o subterrâneo ignorado
Tão profundo e sem saber,
Da flor que eu tinha plantado
E que a sombra não deixa ver.

E este medo me assombra
Na noite esquecida e calma,
Como o arvoredo sem sombra
Dos jardins da minha alma.

Marcus Di Philippi