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20 de mai. de 2009


Silêncio?
Nunca!
Jamais!

O silêncio faz parte
Da alma dos cobardes.
Isso não deveremos ser!

Ergamos,
Para sempre,
As nossas Vozes
Contra todas as formas de subjugação,
De violência
Ou de des-humanidade.

Elevemos,
Bem alto
E sempre em aberto,
O nosso grito de alerta
Contra os des-atinos
Dos tiranos e dos opressores.

Mostremos,
Sem reservas
E por detrás de todas as máscaras,
Os nossos verdadeiros rostos
De revolta, de piedade
Ou de sofrimento.

Des-velemos,
Sem demagogia,
A miséria dos Espíritos
Enclausurados,
As mentes decrépitas
Das gentes acorrentadas
Pela mesquinhez dos preconceitos.

Ergamos,
Com todas as nossas forças
E em des-favor da falsa Ética,
Um Futuro mais radioso,
Mais sereno,
Mais feliz...

Silêncio?
Nunca!
Jamais!

Isabel Rosete
Que Humanidade é esta
Que a si mesma se despreza,
Atropela
E destrói?

Quanta retórica,
Que com o pensar crítico se confunde,
Da racionalidade se afasta,
E a livre expressão oprime.

Praguejam,
Os Homens,
Sob as orlas da manipulação
E das falsas juras.

Hipocrisia.
A palavra-de-ordem,
O motor que move
Os povos des-vairados,

Corrompidos,
Esmagados,
Completamente des-troçados
Pelas palavras enganadoras.

Isabel Rosete

1 de abr. de 2008


«Dia Internacional da Mulher»
08 de Março de 2008

Ex. mos Senhores,
Ex. mas Senhoras,


Deixemo-nos de eufemismos:

1. O “Dia Internacional da Mulher” é todos os dias;

2. Não há, propriamente falando, Mulheres e Homens;

Há, apenas, Seres Humanos, com algumas diferenças genéticas inultrapassáveis.
Neste ponto, referimo-nos à óbvia dissemelhança do Mesmo, e o Mesmo é, tão simplesmente, isso a que chamamos de “Humanidade”, naturalmente, diversa, naturalmente, enformada em múltiplas dimensões;

3. Há, apenas, Seres Humanos, com igualdade de Direitos e de Deveres;

4. Falar, tão empoladamente da Mulher, apenas no “Dia Internacional da Mulher”, já é uma forma de discriminação.

Mais nada.



Mulher, para sempre…

Uma dádiva da Natureza
O topos da Criação…

Em si carrega
As sementes da Renovação…

Consigo arrasta
O gérmen de outras Vidas

No Mundo lançadas
Como um Dom

Sempre esperado
Sempre desejado
Nunca esgotado…

O seu ventre é Sagrado
Fonte jorrante da Vida
Que em cada embrião se eterniza…

Os seus seios,
Símbolos,
Sinais
Do alimento divino,
Corpos e almas fortificam…

Os ciclos da Vida multiplica
Em doce ou vã alegria…

A sucessão das gerações assegura
Sempre prenhe de fertilidade…

Em si acolhe todos os frutos
Todos os rebentos…

Com a genuína graça
Do Renascimento Infinito
De novas Idades…

Isabel Rosete
08/0308

Primavera (s)

Cruzam-se os olhares
Na paz perpétua
De um saudoso beijo

Não há mais revolta
Paira a serenidade.

Tudo se move
No seu ritmo certo

O desfiladeiro
Não apavora mais
Os olhares inquietos.

O mar
Enrola-se na areia
Ao som do canto das sereias

Na paz dos Anjos
Se acalentam as tempestades
Fatigadas do seu peregrinar.

Os segredos
Da vida e da morte
Já não se ocultam mais

Os corações despertos
Estão aí
Para todos os re-começos.

Eleva-se a singela nudez
Dos corpos em comunhão

A pura leveza
Dos olhares
Que já não são pálidos

O riso das crianças
De olhos claros
Que a alegria espalham
Por todos os lugares.

A Paz
Torna-se visível

O Amor permanece
No seu devido lugar
Mesmo que incerto.
Cantamos a Primavera
Sem mácula

A Felicidade regressa
A todas as almas
Outrora despedaçadas.

Isabel Rosete
12/03/08
02/04/08

Pré-conceito (s)… I

O odioso reino
Das mentes quadradas
Nos vértices encalhadas,
Em jaulas encarceradas,
Cegas e surdas,
Sem horizontes possíveis.

O Mundo corroem
E a Humanidade sacrificam,

Em nome de uma pseudo Verdade
Inquestionável,
Indubitável,
Para todos instituída,

Em prol da crendice míope
Do absolutamente certo
Ou da mutabilidade impossível.

Um pecado capital,
Que o Novo rejeita,
O Diferente esmaga,
A Mudança atrofia.

Percorrem as façanhas dos Homens,
Na mesquinhez do Pensar
E na intolerância ideológica.

Castram o direito à Identidade,
Em nome da vã uniformização
Do Ser
E do Estar,

Em nome da claustrofobia
Do Sentir
E do Agir.

Cancro de todas as sociedades,
Pelo Mundo se espalham
Como ervas daninhas.

Freios perpétuos do desenvolvimento,
Amordaçam as bocas,
Que a Liberdade apregoam.

Motores da Raiva e da Vingança,
Perpassam todas as gerações,
Violentadas por ideias mal formadas.

Erguem-se no patamar de uma “santa” ordem
Imperativa,
Jamais contestada.

Sobre as almas encurraladas,
Lançam grilhões
Infinitos,
Estéreis,
Na imperfeita quadratura do círculo,
Que não mais avança.

Isabel Rosete
07/03/08
02/04/08
Pré-conteito (s)… II

O turbilhão intelectual
Dos mente-captos,
Promovem.

Os maquiavélicos desígnios
Dos tiranos,
Alimentam,

Sob o dogmatismo
Que as franjas do fanatismo
Enaltece
E o espírito crítico
Adormece.

Isabel Rosete
07/03/08
02/04/08
Pré-conceito (s)… III

Em seu nome se matam
Os Povos inocentes,

Se destrói
A Diversidade,

Se aniquila
A Autonomia,

Se esmaga
A Igualdade,

Se extermina
A singular especificidade das gentes,

Imperativamente caladas,
Cobardemente açoitadas,

Lançadas nas valetas
Da Vida perdida,

Nos limiares da Morte
Que as almas petrifica.

Isabel Rosete
07/03/08
02/04/08
Pré-conceitos (s)… IV

Deflagradores da essência humana
Movem-se,
Neste Mundo de Pó e Miséria.

Insultos degenerativos,
Atentados hiperbólicos
A todas as formas de inteligência;

Traços da pobreza mental
Dos que olham,
Mas não vêm;

Pedaços do ruído deformado
Dos que ouvem,
Mas não escutam;

Fios da cegueira opaca,
Dos que caminham
Em linha recta;

Manifestações da podridão
Do Mundo
Que não se apressa;

Degenerações contaminadas,
Que o Universo
Mobilizam;

Calcanhar (es) de Aquiles
De todas as revoluções,
Cegamente amputadas

Pelas ideologias unilaterais,
Que as divergências
Proíbem;

Amantes da hipocrisia,
Da falsa moral,
Do aparente puritanismo;

Parceiros da demagogia,
Camuflada,
Dos homens do Poder;

Pares da propaganda
Enganosa,
Dos falsos revolucionários,

Que a Humanidade
Encantam
E não enobrecem.

Isabel Rosete
07/03/08
02/04/08

23 de mar. de 2008

Páscoa 2008,
por Isabel Rosete

Bebi esse delicioso vinho, símbolo eterno do sangue de Cristo, que agora e sempre nos vivifica alma e nos enobrece os corações, para que o ódio neles se apague, para que a raiva sempre desprezem; para que à comunhão e ao perpétuo renascimento permaneçam abertos.
Cristo, pelas mãos do seu próprio povo, os Judeus, foi sacrificado. Por eles, e por nós também, sofreu e morreu, no auge da sua maturidade, aos 33 anos de idade. Pelo menos, assim rezam as Escrituras.
Apenas mais uma norte de um ideólogo alucinado? Perguntarão aqueles que, à luz da Verdade, a História não leram. Não. Claro que não. Estão completamente enganados. Responderão essoutros que as alegorias bíblicas souberam interpretar literariamente
Não se trata, de facto, assim o penso, nem de mais de uma morte, nem uma morte qualquer. A morte de Cristo é uma metáfora, uma simbolização metafórica que, com precisão, devemos saber analisar.
O que verdadeiramente importa – pelo menos assim o vejo aquando de olhos postos no Mundo – não é a sua morte ou a sua dor física, não é o seu frágil corpo açoitado e ensanguentado, mas a sua morte e dor espiritual, que até hoje se perpétua, denotação perfeita da crueldade, da cobardia e da insanidade humana, que da desgraça alheia se alimenta, petrificada num estado de exacerbação do prazer próprio, assombrada pela “glória” que não vêem mais como sinónimo da sua própria imbecilidade.
A morte de Cristo, Deus feito Homem, é a exemplificação, "claramente vista", da ignorância das gentes, que em histeria colectiva entram, ao som da voz de um líder movido por uma infundada sede de vingança, sem saberem exactamente por que causa lutam.
Eles, os Judeus, preferiram soltar Barrabás e crucificar Cristo. Escolheram salvar o mal, o crime, a bestialidade, em vez de conservarem a pureza de uma alma que pelo Bem e pela Justiça sempre lutou, aceitando, pacificamente, mesmo num atroz sofrimento universal, o destino que o Pai lhe havia confiado, a selvajaria norteada pela mais inconcebível inversão de valores que a humanidade devia, deve, banir convictamente de todos os seus pensamentos e, principalmente, de todas as seus actos.
Cristo lutou, honrosamente, em nome da filosofia que o movia. Defendeu-a, com toda a convicção, em prol de um mundo mais humano, onde imperasse essa costela de bondade, de verdade e de rectidão do carácter, que nem sempre des-ocultamos. Morreu por ela, manifestando toda a sua coragem e lealdade ideológica, até mesmo nos momentos em que a sua dimensão humana se encontrava estarrecida.
Caminhou, a passos largos, sem medo de assumir essa penosa tarefa de ser “Persona no grata” a um sistema corrupto, degenerativo, completamente desqualificado.
Podemos considerá-lo um herói histórico? Claro. Podemos e Devemos. É a minha tese, que passo a defender num intercâmbio de perguntas e respostas.
O que representa ou simboliza este herói? Um mártire, entre tantos outros, que a Historia nos apresenta? A resposta parece-me simples e clara: Cristo foi, é, o símbolo da essência do Humano, na sua grandeza e na sua miséria. Mostrou, mostra, aos Homens – hoje tão cegos e tão surdos como os do seu tempo – como a irracionalidade e o puro instinto são o cancro de todos os Povos, de todas as Nações, em todas as épocas.
Lamentavelmente, esta lição não foi, ainda, por nós interiorizada. E porquê?
1. Porque não convém aos “donos” do poder uma humanidade marcada pela racionalidade do dever, pelo respeito pelas liberdades fundamentais, na sua igualitária e natural diferença;
2. Porque continua a reinar a hipocrisia, a mentira, a inveja e a intolerância.
A “Caixa de Pandora” abriu-se. Lançou sobre a Terra toda a espécie de males. Nela ainda se encontra Esperança, guardada a sete chaves e, quiçá, só libertada quando os Homens desnorteados, pautados por valores desonrosos, indignos e insolentes, encontrarem o seu verdadeiro caminho.
Será que, um dia, chegará esse tão ansiado momento? A mundividência que os nossos olhos diariamente des-velam, parece mostrar que jamais há possibilidade de voltarmos ao “Paraíso Perdido”. Senão vejamos: vivemos o ódio e a disputa desenfreada entre as Nações que, por interesses económicos ou políticos se dispõem a matar, a destruir, brutalmente, todos os obstáculos que à sua frente se apresentam e tendem a coarctar as ideias indigentes dos sistemas totalitários intencionalmente disfarçados.
O valor da dignidade humana, tomada em si mesma e por si mesma, foi aniquilado pela maioria dos Países que, só em teoria, o respeitam. Em primeiro lugar estão os valores da Pátria (que grande mentira!) encobertos pelo frenesim económico do lucro pelo lucro, pelo prazer do poder pelo poder, circunscrito a uma minoria que se auto-classifica como peremptoriamente capaz de defender os Direitos Humanos, por detrás das armas que, indiscriminadamente, fazem jorrar o sangue puro dos inocentes.
Alucinados nos mantemos neste céu de trevas, obscurecedor dos espíritos manipulados por uma escala axiológica inversa, comandada pelo valor imperativo do dinheiro, por sua vez, acompanhado pelo poder político, sem escrúpulos, que o faz crescer, nas mãos de uma pequena e perversa minoria que o mundo (des)governa.
Nesta corda bamba, não mais manobrada pelo equilibrista, continuamos a assistir ao subdesenvolvimento dos países do 3º Mundo, onde reina a fome, a escravidão, a insolência, a má fé, a falsa solidariedade e a intransigência, o des-humano, ou para sermos mais claros e realistas, o Inferno vivido em vida, entre outros anti-valores de que os nossos rostos, sorridentes, se deviam envergonhar, aquando de cada lágrima derramada dos olhos das crianças, que já nem o céu têm como horizonte possível.
Assistimos, todos os dias, pela televisão ou pelos jornais, a estes cenários degradantes. E nenhum de nós se pode declarar como intocável, ou como irresponsável perante estas mazelas que por todo o Mundo assomam, de forma mais ou menos visível. Até nos podemos lamentar. No entanto, nada fazemos para as eliminar ou minimizar.
Sabemos que o palco do Mundo caminha nas franjas da barbárie (nem sempre des-ocultada), de um modo cada vez mais assustador. Mesmo assim, permanecemos calados ou mostramos, apenas, a nossa revolta num restrito grupo de amigos, cuja voz ali se encerra, olhando os “coitados” que sofrem.
Afinal, jamais deixamos de pensar: «Quem sou eu para mudar o Mundo?». E assim voltamos à apatia de sempre, bem mais cómoda do que qualquer cogitação de uma possível luta pelos ideais em que acreditamos. Acrescentamos – a esta frase feita, e sem excepção – que a culpa é do Governo, o eterno bode expiatório das culpas que do nosso cartório, estamos sempre prontos a descartar.
Não convém à minoria, que este palco suporta por detrás de um permanente não dito, que sobre esta realidade meditemos. Levados pelas correntes da demagogia, vendamos os olhos, para que as atrocidades não nos façam pesar a consciência. Rolhamos os ouvidos, para que não ouçamos os gritos aflitos de milhões de pessoas – nossos semelhantes, por essência – que amarguradamente clamam em busca de um simples pedaço de pão, que os seus corpos nutrifique, em demanda de um simples sorriso ou de uma palavra, actuantemente solidária, que os seus acabrunhados espíritos console.
Não fazemos mais jorrar o sangue de Cristo pelas almas sedentas de paz. Não dividimos mais o pão por todos os outros de nós mesmos, também sobreviventes, neste Mundo marcado pelo egoísmo, por falsas promessas, ou por promessas sempre adiadas.

Isabel Rosete
23 de Março, 2008

7 de fev. de 2008

AMO O SILÊNCIO

Amo o silêncio

O ruído das máquinas
Fere os meus ouvidos
Tão puros
Tão singelos
Quanto cada amanhecer

Os sons das trombetas dos anjos
Espero ouvir
Ao entardecer

As suaves melodias das almas
Espero beber
Ao anoitecer

Os sons da Terra
Espero sentir
Em cada renascer…

Amo a pureza
De cada ente Nu
No despertar da Humanidade
Que suspira
O Virgem
O Fértil
O Imaculado…

Amo o desflorar
Da criação
Em todos os seus estados de Graça
Em todos os suspiros
Dos corações inspirados…

Isabel Rosete
09/12/07
02/08/07
Alma
Sopro da Vida
Não cabes mais
Dentro dos teus limites

Transcendes-te
Rumo ao encontro
De todos os desencontros

Ao impossível
De todos os possíveis…

Evades-te
Nas dunas brancas
Das praias desertas

Respiras
Pura
A virgindade da Natureza

Escutas
Em silêncio
Os sons primordiais

Das profundezas
Do mar
Salgado

Ora verde
Ora azul
Ora vermelho

Manchado
Pelo sangue dos corpos
Derramados

Quantas batalhas
Quantas guerras

Nas águas cristalinas
Foram sepultadas…

Alma
Co-afim com o mar

Em revolta
Te moves

Em calmaria
Descobres
A eterna beleza
Das coisas simples

Aí estás
No correr
Das águas

Ao turbilhão do mundo
Nem sempre escapas…

Isabel Rosete
06/07/07
26/01/08